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Água Fresca para as Flores - resenha

  • Foto do escritor: Kelly Rossi
    Kelly Rossi
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Título Original - Changer l'eau des fleurs

Autora - Valérie Perrin

Nacionalidade - Francesa

Tradução - Carolina Selvatici

Editora - Intrínsec

Gênero - Suspense

Páginas - 480

Ano - 2021

ISBN - 9786555602302

Classificação - ⭐⭐


Sinopse - "Os dias de Violette Toussaint são marcados por confidências. Para aqueles que vão prestar homenagens aos entes queridos, a casa da zeladora do cemitério funciona também como um abrigo diante da perda, um lugar em que memórias, risadas e lágrimas se misturam a xícaras de café ou taças de vinho. Com a pequena equipe de coveiros e o padre da região, Violette forma uma família peculiar. Mas como ela chegou a esse mundo onde o trágico e o excêntrico se combinam?

Com quase cinquenta anos, a zeladora coleciona fantasmas ― uma infância conturbada, um marido desaparecido e feridas ainda mais profundas ―, mas encontra conforto entre os rituais e as flores de seu cemitério. Sua rotina é interrompida, no entanto, pela chegada de Julien Seul, um homem que insiste em deixar as cinzas da mãe no túmulo de um completo desconhecido. Logo fica claro que essa atitude estranha está ligada ao passado difícil de Violette, e esse encontro promete desenterrar sentimentos há muito esquecidos."


Terminei "Água Fresca para as Flores" sem saber direito o que pensar sobre ele. Precisei refletir bastante para entender o porquê essa história não me prendeu nem me emocionou como aconteceu com a maioria dos leitores.

Sei que é um livro popular. Afinal ganhou dois prêmios na França: Maison de la Presse, 2018 (um prêmio dedicado a jovens autores) e no ano seguinte, 2019, ganhou o Les Livres de Poche Reader’s Prize, que é dado pelos leitores. Então agradou muito. Se você está querendo simplesmente passar o tempo, investir numa leitura inconsequente mas agradável, esse livro deve estar na medida. Mas se você gostaria de uma leitura mais complexa, inesquecível e com personagens mais desenvolvidos, este não é o livro.


Este livro descreve a infância e vida adulta de Violette, intercalando várias outras histórias no meio do caminho. Violette tem uma juventude turbulenta, um casamento conturbado e só gradualmente encontra paz e autoconhecimento. A escrita da Valérie Perrin é fácil e gostosa, e esse livro, mais especificamente, prende o leitor com um mistério que só é desvendado nas últimas páginas, bem a moda policial mesmo, o que eu não esperava por ser de uma temática mais dramática que envolve luto e superação. Aqui temos belas descrições atmosféricas de situações e lugares e, claro, uma história que une tudo. Mas a história é definitivamente prolixa. Cada cena geralmente aparece várias vezes, vista da perspectiva de vários personagens. Não em sequência organizada, mas aparentemente cruzando o livro. Assim, a autora frequentemente muda de tempo, personagem principal e enredo, e isso não melhora a leitura. Como se ela quisesse dar ao livro, que é essencialmente um bom livro, um prestígio literário extra.


O livro todo é repleto de passagens bonitas e marcantes, infelizmente não de uma forma natural, e provavelmente isso que não deixou a emoção me atingir, ficou algo forçado que não funcionou comigo. Mesmo assim, achei poderosa a forma como ela capturou o sentimento de luto.


Gostei muito da ambientação do livro, mas os personagens são todos muito estranhos, totalmente fora da realidade. Todos estão insatisfeitos com seus casamentos, todos se sentem insatisfeitos e estagnados na vida, todos perderam alguém, ninguém consegue ser feliz com o cônjuge, todos têm (pelo menos) um amante (na maioria dos casos, muitos mais) e, apesar de todos serem infelizes, ninguém se divorcia. Tudo é muito de muito...


Queria muito ter encontrado uma Violette que enfrentasse o traste do marido, lutasse pela filha, batesse de frente com os vermes dos sogros, mas ela só acatava tudo. No fim, todas as ações do marido foram justificadas, como se ele fosse uma pessoa boa mesmo tendo feito tudo o que fez me deixou fula da vida. Vários e vários pontos acabaram me incomodando. Enfim... acontece! Mais um best-seller que não me pegou.


Depois de muito refletir, não, eu não gostei do livro. Ele tem seus méritos: sua perspectiva sobre o sentido da vida, a busca pela beleza nas pequenas coisas e o reencontro consigo mesmo. Mas não posso ignorar o excesso de sentimentalismo exagerado, os personagens caricatos e o enredo inverossímil.


Você leu? Venha me contar se você gostou e quais os pontos te agradaram.


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