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  • Kelly Rossi

Um Amor - resenha


Título Original - Un amore

Autor - Dino Buzzati

Nacionalidade - Italiano

Tradução - Tizziana Giorgini

Editora - Nova Fronteira

Gênero - Romance

Páginas - 240

Ano - 2019

ISBN - 9788520944806

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐💘


Sinopse - "Em O deserto dos tártaros, sua obra-prima, já estavam presentes características que décadas depois se desdobrariam em Um amor, seu último romance, tido pela crítica como seu livro mais autobiográfico. Ao narrar a história de Antonio Dorigo, arquiteto de meia-idade que se apaixona pela jovem prostituta Laide, Buzzati dá continuidade à investigação das ansiedades humanas, reafirmando temáticas recorrentes em suas narrativas, como a nostalgia e uma existência moldada pelo vazio e pela solidão. A incompletude do homem vem mais uma vez à tona, agora habilidosamente costurada pela voz de um narrador obssessivo e apaixonado. Esta edição conta com a tradução de Tizziana Giorgini e traz ainda um prefácio inédito do escritor Marco Lucchesi."


Buzzati é um autor meticuloso, ele gosta da sinceridade mesclada com a poesia. É assim que ele disseca até o mais inocente dos sentimento, oferecendo ao leitor o que parece ser uma crua exposição do amor, em toda a fragilidade e angústia de suas vãs ilusões, mas também no mistério mágico que contrasta com o tédio, a solidão, e a passagem do tempo.


Ler Buzzati não é apenas ter contato com uma história. Ler Buzzati é um convite a degustação mais plena de sensações que se solidificam em palavras palpáveis. Suas obras vão muito além do enredo, proporcionam vivência, e um olhar interno e reflexivo que causa espanto.


❤ "O amor? É uma maldição que cai sobre nós e à qual é impossível resistir."


"Um amor" trata de um romance pesado e obsessivo onde tudo é ambíguo. A começar pela Milão dos anos 60 que é o pano de fundo da história: resplandecente, vivaz e luxuosa, mas logo se torna cinza, suja e macilenta. Essa figura do duplo também é encontrada entre as personagens principais: Dorigo, um cenógrafo de cinquenta anos ainda sozinho, imerso em seu mundo confortável, calmo e reconfortante, mas que por timidez e inadequação com as mulheres, satisfaz seus apetites sexuais com prostitutas; E Laide, uma jovem garota de programa, ex-bailarina de aparência exuberante, inocente e asseada, com seus caprichos, subterfúgios e inverdades.

"No entanto, também se pode ser criança aos cinquenta, completamente indefeso, confuso e assustado como um menino que se perdeu na escuridão do bosque. A inquietação, a sede, o medo, o abatimento, o ciúme, a impaciência, o desespero. O amor!"


O amor irrompe de forma inesperada e devastadora na vida de Dorigo, destruindo seu equilíbrio e sua dignidade, mas não sua falsa respeitabilidade. As humilhações, suspeitas e tormentos desse sentimento não correspondido perturbam sua existência inerte e pálida, roubam-lhe o sono e a serenidade, mas ao mesmo tempo o fazem sentir-se autenticamente vivo pela primeira vez. Dorigo está perdido em seus sentimentos, e nós, leitores, nos perdemos com ele, nos ressentimos, nos questionamentos e também quebramos a cara (pelo menos comigo foi assim, levei muitos tapas no fim dessa história).


"Um Amor", além de ser um romance, lindamente escrito, sobre um amor desesperado e de mão única (será que todos não são assim?), e por isso ainda mais intenso. É também um presente que Buzzati nos deixou, com um grito, um verdadeiro apelo para que não deixemos nossa vida passar em vão, que possamos aproveitá-la ao máximo, simplesmente VIVENDO!


"Subitamente entendeu o que lhe diziam, entendeu a significação desse mundo visível, diante do qual só se consegue dizer "que lindo!" e algo imenso nos invade a alma. Em toda a sua vida nunca procurou uma explicação para aquilo. Quantas vezes não ficara admirado diante de uma paisagem, de um monumento, de uma praça, de um jardim, do interior de uma igreja, de uma rocha, de uma trilha, de um deserto. Só agora finalmente, descobria o segredo.

Um segredo muito simples: o amor. Tudo o que nos fascina no mundo inanimado, os bosques, as planícies, os rios, as montanhas, os mares, os vales, as estepes, e mais e mais, as cidades, os edifícios, as pedras, ainda mais, o céu, o pôr do sol, as tempestades, e muito mais, a neve, a noite, as estrelas, o vento, todas essas coisas, em si vazias e indiferentes, enchem-se de significado humano porque, sem que o suspeitemos, contêm um pressentimento de amor."


Grande beijo, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚




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