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Thérèse Raquin - resenha


Título Original - Thérèse Raquin

Autor - Émile Zola

Nacionalidade - Francês

Tradução - Joaquim Pereira Neto

Editora - Estação Liberdade

Gênero - Romance Naturalista

Páginas - 240

Ano - 2001

ISBN - 8574480444

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Thérèse Raquin foi recebida com um escândalo no momento de sua publicação em 1867. Apesar de já haver publicado cinco romances antes desse, Thérèse Raquin foi sua primeira grande obra, em que procurava aplicar os conceitos de uma nova teoria do romance: o naturalismo. As críticas lhe trouxeram uma publicidade inesperada e serviram de pretexto para reeditar Thérèse no ano seguinte, acompanhado de um prefácio (que apresentamos neste volume) no qual o autor discute a necessidade de se produzir um estudo profundo da alma humana, fazendo uma cópia exata e minuciosa da vida, sem pudores ou disfarces moralistas. Seu objetivo, segundo suas próprias palavras, é científico: "cada capítulo constitui o estudo de um caso curioso de fisiologia". É dessa forma que Zola nos faz conhecer os amores cruéis de Thérèse e Laurent, que vão do adultério ao crime, sofrendo todas as conseqüências morais de seus atos. Thérèse é uma jovem mulher fechada em si mesma, que passou a infância junto a um primo doente e foi obrigada a esconder dentro de si um coração ardente e nervoso. Laurent, por seu lado, é um homem desprezível, cuja maior ambição é viver no ócio. O encontro dos dois é a fatalidade que os levará à ruína. A partir daí os acontecimentos se sucedem como que independentemente de suas vontades: suas almas, suas naturezas não os permitiriam agir de outra forma dada a situação em que se encontram."



〰 "Quando gritavam à sua volta, ele ouvia o grande silêncio terrível que havia nele."


Começo esse texto citando um trecho de "Crime e Castigo" de Dostoiévski: "Aquele que tem sentimentos sofre reconhecendo o seu erro. É seu castigo, independentemente da prisão." Porque ler "Thérèse Raquin" me remetou várias vezes ao Raskólnikov de "CriCa". Mas acredito que o sofrimento moral entre as duas obras é diferente. "Thérese..." não traz um remorso genuíno, é mais uma reação neurótica da psique.


"Thérèse Raquin" é um romance naturalista sobre a destruição e a loucura humana. Zola faz uma análise, uma verdadeira pesquisa experimental com seus personagens. A impressão ao ler é que o autor cria um caminho inicial partindo da infância dos protagonistas e depois eles caminham sozinhos. Toda a mudança interna, externa e as transformações mentais são escritas com uma maturidade tão profunda e cruel que chega a embasbacar.


〰 "A leitura abriu-lhe horizontes romanescos que ela ainda ignorava; ela havia amado apenas como o sangue e com os nervos; começou então a amar com a cabeça."


Quando foi publicado pela primeira vez, o livro recebeu duras críticas por ter sido mal interpretado, o autor sentiu a necessidade de escrever uma introdução esclarecendo ambiguidades e respondendo objeções. Falar sobre a natureza humana como ele fez pela primeira vez chocou os leitores de sua época e pode chocar leitores de hoje também. Mas afirmo que é uma história magistral, um verdadeiro estudo dos temperamentos do nosso lado mais animal.


〰 "Houve, no mesmo momento, nessa mulher e nesse homem uma espécie de perturbação nervosa que os devolvia palpitantes e aterrorizados para os seus terríveis amores. Um parentesco de sangue e de volúpia estabelecera-se entre eles. Arrepiavam-se com os mesmos arrepios; seus corações, numa espécie de fraternidade pungente, apertavam-se com as mesmas angústias. A partir de então tiveram um só corpo e uma só alma para gozar e para sofrer. Essa comunidade, essa penetração mútua é uma realidade de psicologia e de fisiologia que sempre acontece com os seres que são lançados violentamente um contra o outro por grandes abalos nervosos."


Quando jovem, Thérèse foi morar com sua tia, Madame Raquin. Madame Raquin tinha um filho adoentado, Camille. Thérèse ajudou a cuidar do primo. Ambos cresceram juntos e depois se casaram. Thérèse levou seus dias conformada com sua infelicidade…. Até Laurent entrar em sua vida. E é ai que a loucura começou.

〰 "Esse amor súbito pela leitura teve uma grande influência no seu temperamento. Adquiriu uma sensibilidade nervosa que a fazia rir ou chorar sem motivo."

Algumas cenas são devastadoramente atraentes e chocantes. A escrita de Zola é fascinante de um jeito que atordoa. Três cenas me deixaram congelada, precisei fechar o livro para respirar antes de continuar: 1) uma barbaridade com um gatinho - acho que não preciso falar muito, cenas com animais destroem meu coração; 2) Referência ao necrotério de Paris, mostrando uma imagem horripilante de cadáveres em decomposição, bem como a animalização de pessoas que estavam lá apenas para assistir por satisfação; e 3) a descrição do sofrimento de uma senhora plenamente consciente que ficou paralisada por dias e dias e sendo cuidada por aqueles que mais lhe causam asco.

〰 "A cada dia seus olhos ganhavam uma suavidade, uma luz mais penetrante. Ela chegou a se servir dos olhos como de uma mão, como de uma boca, para pedir e agradecer. Supria assim de uma maneira estranha e encantadora os órgãos que lhe faltavam. Seus olhares eram belos de uma beleza celeste, no meio de seu rosto cujas carnes pendiam moles e deformadas. Desde o momento em que seus lábios contorcidos e inertes não puderam mais sorrir, ela sorria com o olhar, com ternuras adoráveis; lampejos úmidos brotavam e raios de aurora saíam-lhe das órbitas. Nada era mais singular que aqueles olhos que riam como lábios naquele rosto morto; a parte inferior do rosto permanecia triste e lívida, a parte superior se iluminava divinamente."

Um tanto atormentador em várias partes? Sim, mas é uma leitura inesquecível que eu amei fazer. Daquelas que você não consegue nem julgar as personagens, apenas sentir, torcer e lamentar. Quero ter a oportunidade de conhecer mais da obra do autor.


E você? lembra qual foi o último livro que lhe atormentou de forma positiva?



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚

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