• Kelly Rossi

Tartarugas até lá embaixo

Atualizado: Fev 26



Autor - John Green

Tradução - Ana Rodrigues

Editora - Intrínseca

Gênero - Romance

Páginas - 272

Local - Rio de Janeiro, 2017

ISBN - 9788551002001

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse – “Aza Holmes não está disposta a sair por aí bancando a detetive para solucionar o mistério do desaparecimento do bilionário Russell Pickett, mas há uma recompensa de cem mil dólares em jogo, e sua melhor amiga, a destemida Daisy, quer muito botar a mão nesse dinheiro. Assim, as duas vão atrás do único contato que têm em comum com o magnata: o filho dele, Davis.

Aza está tentando. Tenta ser uma boa filha, uma boa amiga e uma boa aluna, mas, aos dezesseis anos, ainda não encontrou um modo de lidar com as terríveis espirais de pensamento que se afunilam cada vez mais e ameaçam aprisiona-la.

Neste livro arrebatador e sensível sobre amor, resiliência e o poder de uma amizade duradoura, John Green conta a tocante história de Aza, lembrando que a vida sempre continua e que muitas surpresas nos aguardam pelo caminho.”





“A gente escolhe os nossos finais e os nossos começos. (...) A gente pode até não decidir o que aparece na foto, mas a moldura é a gente que decide.”


Tudo começa com o desaparecimento de um bilionário. Uma recompensa de $100.000,00 é oferecida para quem encontre ou forneça alguma pista que leve ao paradeiro de Russell Pickett. Por esse motivo, Aza e sua melhor amiga, Daisy, resolvem solucionar o caso ou pelo menos tentar.

Quando criança, Aza era amiga de Davis, filho do famoso desaparecido. Pensando na solução do mistério, Daisy decide que uma reaproximação entre os velhos amigos pode ajudar.


Aza Holmes é uma adolescente de 16 anos. Seu nome foi escolhido por seu falecido pai, porque, dizia ele, “AZA abarca todo o alfabeto, para que você saiba que pode ser quem você quiser”. Mas a vida não está sendo nada fácil para Holmes. Ela sofre com ansiedade e TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), pensa constantemente que não é real, não sabe quem realmente está no controle e imagina seu corpo como uma colônia de bactérias num invólucro de pele. Os remédios e o tratamento com a psicóloga não estão ajudando muito, ela continua abrindo um ferimento em seu dedo médio para constatar se não está infeccionado.





Daisy é bem doidinha e espontânea! É viciada em Star Wars e escreve fanfics românticas com Chewbacca e Rey. A relação de amizade que tem com a Aza é muito bonita... é aquela amizade verdadeira difícil de encontrar por aí.




Davis é um apaixonado por astrologia e também gosta de escrever. Mantém um blog onde relaciona seu dia a dia com citações de autores famosos.


A escrita do livro é muito gostosa e fácil de ler. O autor consegue mostrar exatamente como é a vida de alguém que sofre com TOC e em muitos momentos parece que estamos dentro da cabeça da Aza. Mesmo o tema sendo sério e relevante, a história de Aza mesclada com sua amizade com Daisy e seu romance com Davis deixa tudo mais leve. Davis é aquele garoto romântico, sonhador, que beija com as palavras, sabe? A gente fica torcendo pelos dois a todo momento.


“Tartarugas Até Lá Embaixo” aborda temas como amor, família, amizade, abandono, desigualdade social, além de conscientizar sobre problemas com ansiedade e TOC.

O único ponto que poderia ter um desfecho melhor é a solução do desaparecimento, mas acredito que não era o foco da história e não interfere em nada na leitura e nos ensinamentos que o autor pretende transmitir com o livro.


Uma leitura que me proporcionou boas risadas, muita reflexão e muita pesquisa (pois é repleto de referências). Um livro que conquistou meu coração! Espero que conquiste o seu também.




ALGUMAS CURIOSIDADES


A primeira coisa que observei quando estava lendo, foi o sobrenome da protagonista: Holmes. Bom... a história começa com uma investigação... Holmes... transtorno obsessivo compulsivo. Claro que pensei em Sherlock Holmes na hora. Fiz uma busca e pah! O Green deu uma entrevista no lançamento do livro falando exatamente sobre isso. Como Aza Holmes é uma detetive muito ruim, sua intenção era desromantizar a ideia de que transtornos ajudam a desvendar mistérios, mas que na verdade, atrapalham.




Outra curiosidade é sobre a capa: uma espiral laranja. Em uma parte do livro, Aza se depara com um quadro de Pettibon, era uma espiral colorida. “... algum efeito nas linhas curvas fazia meus olhos se perderem na pintura, me obrigando a voltar repetidas vezes do todo para partes menores...” Era exatamente assim que ela se sentia quando perdia o controle e se afundava na ansiedade.



Antes de se tornar pintor, Pettibon fazia parte de uma banda punk chamada Black Flag. As letras das músicas estavam relacionadas com paranoia, solidão e neuroses.

E para quem não sabe, John Green já foi diagnosticado com TOC e teve fases em sua vida nas quais a doença o impedia de trabalhar e até de se alimentar. Em um vídeo ele revelou: “Tentei criar uma experiência não sensorial de viver dentro da minha espiral de pensamento.”




O título do livro é explicado no decorrer da história. “Um cientista estava dando uma palestra sobre a história do nosso planeta (...), no fim, perguntou se alguém tinha alguma dúvida. Uma senhora lá no fundo levantou a mão e disse: ‘Isso tudo é muito bonito, senhor cientista, mas a verdade é que a Terra é uma superfície plana em cima do casco de uma tartaruga gigante.’ São tartarugas até lá embaixo.” Esse trecho foi retirado do livro “Uma Breve História do Tempo”, de Stephen Hawking.


É muito interessante como tudo no livro está interligado! São pequenos detalhes que vamos descobrindo e deixam a experiência da leitura ainda mais instigante.


“Não importa como você morre. Importa quem você morre.”



Já leu? Tem vontade de ler? Gosta da escrita do John Green?



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima! 📚💖


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