• Kelly Rossi

Prazer em Queimar - resenha


Autor - Ray Bradbury

Tradução - Antonio Xerxenesky e Bruno Matos

Editora - Biblioteca Azul

Gênero - Distopia, Contos

Páginas - 416

Ano - 2020

ISBN - 9786555670127

Classificação - 4,5⭐


Sinopse (orelha) - "Quando Hitler mandava queimar livros em praça pública em Berlim, Ray Bradbury tinha quinze anos. Como autodidata, percebeu que os livros - seus professores - estavam em perigo. Anos depois, este luto se transformou em uma ideia: escrever sobre uma sociedade em que os livros fossem proibidos, e os bombeiros, em vez de apagar o fogo, recebessem a missão de incinerá-los.

Em 1951, com um livro já publicado, Bradbury escreveu o conto "O Bombeiro", concebido em nove dias em uma máquina de escrever alugada, para uma revista literária. Tomado por um impulso criativo, deu vida a outros contos, todos com temática semelhante, dentro do mesmo universo. É o caso de "O Pedestre", um manifesto pela liberdade, cuja ideia surgiu a partir de uma abordagem policial que o autor sofreu. Ou "Muito depois da meia-noite", narrativa que guarda mais semelhanças com a estrutura final de "O Bombeiro" e também de 'Fafrenheit 451'.

Em 'Prazer em Queimar - histórias de Fahrenheit 451', estão reunidos treze contos (além de três histórias-bônus posteriores) que prefiguram o clássico da distopia. Escritos durante o período do macartismo - a sistemática perseguição do governo americano a potenciais inimigos ideológicos durante a Guerra Fria - e em meio ao surgimento da televisão, esses contos se tornaram raras e desconhecidas do grande público. Com brilho e pulsão próprios, cada conto ilumina um aspecto do caminho do gênio criativo e dá pistas sobre o processo de escrita de um clássico de todos os tempos."


"Esmague os QIs até ficarem abaixo da média. Um livro é uma arma carregada na casa ao lado. Queime-o. Tire o poder da arma. Feche a mente dos homens. Sabe-se lá quem pode ser o alvo do homem com muitas leituras."


Que saudade que eu estava desse universo distópico criado pelo brilhante Ray Bradbury!


Você que leu "Fahrenheit 451" deve estar se perguntando: Nossa, Kelly... você gosta de se torturar com histórias onde os livros são proibidos e queimados por bombeiros que deveriam apagar o fogo e não ateá-lo? Pois é, acho que eu gosto de sofrer haha...


"Prazer em Queimar - Histórias de Fahrenheit 451" reune 16 contos, 13 deles foram escritos antes do clássico "Fahrenheit 451" e é possível perceber o trabalho do autor em desenvolver diversas ideias que serão abordadas futuramente.


Todos os contos carregam um teor crítico sobre uma forma sutil de totalitarismo que envolve a sociedade de consumo, a indústria cultural e a moral do senso comum.


Exploram a essência de um regime da maioria, que pune tudo que é diferente (qualquer semelhança com o que vivemos atualmente no Brasil é mera concidência), aparece em vários momentos pelos contos.


A sociedade modelo, criada nos contos, passa a mensagem que o livros são um convite à transcendência, ao erro, um desvio ao comodismo... são armas que carregam nossa cabeça, que nos fazem pensar, que nos movem e nos tiram do percurso da melancolia. Opa!!! Parece que pensar por vontade própria não é permitido. Obter informações que não sejam aquelas fornecidas pela "maioria" não é nada legal nesse universo. E no nosso??


Difícil não voltar o olhar para o momento atual e relacionar tudo isso com a proposta de taxação dos livros que acontece no nosso país. Infelizmente, em muitos aspectos, as histórias encontradas em "Prazer em Queimar - histórias de Fahrenheit 451" não são distópicas, mas realistas.


"As civilizações desabam porque homens como eu temem a morte."


Essa leitura deixa o leitor mais próximo do processo de escrita de Bradbury. Também conhecemos os autores que o inspiraram. Edgar Allan Poe é citado em diversos contos, assim como Shakespeare, Bierce, Hawthorne Lovecraft, entre outros.


O conto que mais me chamou a atenção foi "Um grilo na lareira". Fala sobre o cotidiano de um casal que descobre estar sendo observado por uma espécie de escuta/câmera em forma de grilo. A mudança de comportamento e o esforço para parecerem melhores apenas por estarem sendo observados é gritante. Eu adorei essa reflexão.


"As pessoas nunca confiam em si mesmas, mas nunca deixam os outros saberem disso. Deve ser por isso que fazemos coisas radicais, para nos expormos numa posição da qual não ousamos retroceder. De forma inconsciente, tememos o risco de desistirmos, abandonarmos a luta."


"Muito depois da meia-noite" e "O Bombeiro" são os maiores contos do livro. As histórias são praticamente iguais, mudam alguns detalhes. "Muito depois da meia-noite" é um rascunho (muito bom) de "O Bombeiro". Eu li os dois na sequência e tive a impressão que estava fazendo uma releitura. Vou deixar aqui um exemplo de um trecho retirado de ambos os contos:


"Muito depois da meia-noite" - "Ele ergueu as mãos e um livro pousou obedientemente nelas, como uma flor aberta! Na luz fraca, abriu em uma página, e era como uma pétala com palavras que floresciam com delicadeza. No meio daquele fervor e correria, só teve tempo de ler uma linha, mas ela ardeu em sua mente pelo minuto seguinte, como se tivesse sido gravada com ferro em brasa." p. 197


"O Bombeiro" - "Um livro se iluminou de forma quase obediente, como uma pomba branca, em suas mãos, as asas esvoaçantes. Sob a luz tênue e oscilante, uma página ficou aberta e era como uma pena coberta de neve, as palavras pintadas com delicadeza sobre ela. Em meio à pressa e ao fervor, Montag só teve tempo de ler uma linha, mas ela ardeu em sua mente durante o minuto seguinte, como se tivesse sido gravada por ferro em brasa." p. 285


Os dois contos concentram a ideia geral e os principais acontecimentos do livro "Fahrenheit 451". Por esse motivo, eu recomendo que leiam o clássico antes dos contos, assim não há risco de prejudicar a experiência com a leitura de "Fahrenheit 451" que é simplesmente maravilhoso.



As histórias-bônus do livro, os três últimos contos: "O dragão que comeu a própria cauda", "um pouco antes do amanhecer" e "para o futuro", tratam de viagens no tempo. A leitura sequencial deixa a história ainda melhor. Os três contos são pequenos e interessantes. Mais uma prova da genialidade de Bradbury.


"Estar morto é melhor do que estar apagado, estar morto é melhor do que não estar consciente."



Gostaram de saber um pouquinho sobre esse livro de contos do mestre Bradbury? Já leram algum livro do autor? Gostariam de ler? Vamos conversar!



Beijos um ótimo voo a todos e até a próxima!💖📚




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