• Kelly Rossi

O Segredo do Meu Turbante - resenha


Autoras - Nadia Ghulam e Agnès Rotger

Tradução - Denise Schittine

Editora - Globo Livros

Gênero - Biografia

Páginas - 304

Ano - 2020

ISBN - 9786580634491

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐💖


Sinopse - "Nascida em Kabul, no Afeganistão, em 1985, aos oito anos Nadia Ghulam teve a casa onde vivia com sua família destruída por uma bomba, mudando sua história para sempre. Ela teve o rosto deformado pelas queimaduras, passou dois anos lutando pela vida em um hospital e todos os homens de sua família morreram em bombardeios e conflitos armados. Assim, subvertendo as leis do Talibã que proíbem as mulheres de trabalhar, Nadia decide assumir a identidade do irmão falecido e, passando-se por um rapaz, encontra um meio de sustentar a família. O Segredo do Meu Turbante é uma emocionante história real de coragem e sobrevivência que já conquistou milhões de leitores em 25 países."


"... a felicidade daqueles dias e os sonhos de prosperidade, teve fim quando começou a guerra na nossa cidade."


Quando Nadia tinha 8 anos, uma bomba caiu em sua casa, precisamente em cima do seu quarto, no momento que ela estava folheando alguns gibis.


Em um minuto tudo está bem, de repente tudo se acaba!


Só de pensar que talvez eu também estivesse lendo gibis naquele mesmo dia, me arrepia. Eu, assim como a Nadia, nasci em 1985, tinha os mesmos 8 anos, mas vivi em um lugar tranquilo e com guerras bem longe de mim. Mesmo assim, essa leitura me fez voltar no tempo várias vezes para lembrar e comparar o que eu estava fazendo em determinados momentos que foram tão significativos na vida da Nadia.


"O Segredo do Meu Turbante" é uma biografia tão intensa que muitas vezes eu pensava que estava lendo uma ficção. Os capítulos curtinhos e a escrita super envolvente me prenderam fortemente. Só o aperto no peito e as lágrimas, que embaçavam minha visão, obrigavam-me a parar a leitura para respirar.


"Meu corpo pequeno e ágil de menina tinha se transformado em uma carcaça que me custaria quase vinte anos não para gostar dele, mas simplesmente para poder olhá-lo sem começar a chorar."


Sabe quando você tá lendo um livro e bate aquela revolta do autor por causa de determinado acontecimento que parece absurdo? Então, isso acontece aqui. Alguns fatos são tão inacreditáveis e revoltantes que por alguns segundos eu esqueço que a História está sendo contada pela própria protagonista que vivenciou tudo isso.


A guerra civil que alastrava Cabul, além de mudar a vida da Nadia para sempre, também afetou toda sua família. Acontecimentos devastadores causaram uma depressão profunda em seu pai. E como o regime Talibã não permitia que as mulheres trabalhassem, Nadia, aos 11 anos, se viu obrigada a assumir uma identidade masculina para sustentar sua mãe, seu pai e suas irmãs.


Trocando o lenço por um turbante, trabalhou no campo, na construção e numa oficina de bicicletas. Era ainda uma menina... mas passou a ser uma verdadeira guerreira. Além de enfrentar o Talibã ao sair para trabalhar como um menino, Nadia precisou vencer muitas barreiras. O rosto deformado pelas queimaduras era motivo de bullying constante, mas a batalha pela aceitação foi travada dia após dia. E os fantasmas internos eram ainda mais amedrontadores. Se fazer passar por um menino já era uma tarefa muito difícil, mas em plena adolescência, com o corpo em transformação e os hormônios a flor da pele parecia ainda mais impossível.


"E naquele campo também encontrei pessoas que me rejeitavam com cara de nojo por conta do meu aspecto. Acho que eu impressionava, com o rosto cheio de crostas que sangravam facilmente, e a cabeça meio queimada e descoberta. [...] Encontrei a mesma hostilidade em todos os lugares e tive que viver momentos de muita amargura."


Para conseguir estudar, Nadia frequentou uma escola para meninas. E por vários anos ela levou uma vida dupla: menina estudante e menino trabalhador. Durante a leitura eu ficava muito aflita, pois a qualquer momento ela poderia ser pega. Vibrei com ela a cada pequena conquista como menina e, também, como menino. Acompanhar os laços de amizade e até o primeiro amor da Nadia, assim como toda sua trajetória, foi absolutamente emocionante. A minha vontade era entrar no livro e abraçá-la.


Essa obra possui uma riqueza cultural que me proporcionou muitas pesquisas, lembrei bastante da minha leitura do livro "Eu Sou Malala". Duas meninas que precisaram lutar de maneiras diferentes, mas que venceram para contar sua história.


"Acreditávamos que qualquer coisa seria melhor que o terror e a guerra, mas não podíamos nem suspeitar o preço que teríamos que pagar por isso."


A relação da Nadia com sua mãe foi muito marcante para mim e o carinho que uma tinha com a outra me emocionou muito.


"O Segredo do Meu Turbante" é uma História forte de uma menina que venceu a morte e uma cultura extremamente machista.


As últimas páginas foram muito difíceis de ler. Eu não queria que o livro acabasse, então fui lendo e digerindo devagar. Minha vontade era continuar lendo e lendo, sem parar. Acompanhar a vida dessa pessoa incrível foi uma experiência fantástica.


"Para conseguir um futuro em que pudesse viver de bem comigo mesma, sem mentiras, teria que pagar um preço muito alto."


Que esse livro possa ser lido por todos. Mulheres e homens... leiam, conheçam e abracem essa afegã e tantas outras que sofreram e ainda sofrem até hoje.





Já conheciam esse livro? Gostam de ler livros com culturas totalmente diversas da nossa?



Vou ficando por aqui! Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!💖📚




O livro está disponível nas melhores livrarias.




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