• Kelly Rossi

Minha Querida Sputnik - resenha


Autor - Haruki Murakami

Tradução - Ana Luiza Dantas Borges

Editora - Alfaguara

Gênero - Romance

Páginas - 232

Ano - 2008

ISBN - 9788560281503

Classificação - ⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Meias que não combinam, cabelos despenteados, roupas compradas em brechós: Sumire queria ser como um personagem do escritor beatnik Jack Kerouac. E, aos 22 anos, concentra todos os esforços em se tornar uma romancista.

Embora nunca tenha se apaixonado, ela está prestes a conhecer Miu, empresária bem-sucedida, 17 anos mais velha e casada, que a atingirá como "um verdadeiro tornado que varre planícies".

Quem narra a história é K., um jovem professor primário que gostaria de dedicar todo o seu tempo a Sumire e de fazer tudo por ela, se o seu amor fosse correspondido. Mas ela tem olhos apenas para Miu. Convidada a ser sua secretária particular, a menina troca as roupas de ocasião por trajes elegantes, abandona os livros por planilhas e a segue em viagens de negócios. Mas, em férias nas ilhas gregas, a jovem Sumire cairá numa cilada, e apenas K. poderá salvá-la.

Minha Querida Sputnik é uma história de amor e mistério. A solidão e a fragilidade dos relacionamentos são protagonistas neste romance sedutor, em que Haruki Murakami constrói um triângulo amoroso poucas vezes visto na literatura."


VOCÊ JÁ LEU HARUKI MURAKAMI?


Esse foi meu segundo contato com o autor. Conheci sua obra ao ler "Sul da Fronteira, Oeste do Sol", livro que recebi pela Tag Livros e o qual me encantei com a leitura.


"as coisas inúteis também não têm um lugar neste mundo longe de ser perfeito? Retire tudo que é fútil de uma vida imperfeita e ela perderá, até mesmo, sua imperfeição."


Em "Minha Querida Sputnik", o autor mantém sua escrita agradável e delicada. Uma trama triste e amarga, repleta de elementos filosóficos que provocam várias reflexões.


"O entendimento não passa da soma de nossos mal-entendidos."


É uma obra que trata sobre a essência do indivíduo. O tom melancólico da narrativa e o vazio interior dos personagens fazem com que eles sejam muito reais. Esse livro tem tudo o que eu gosto, mas o enredo acabou me decepcionando ao longo da leitura, acabei me desprendendo e aos poucos senti que o que me envolvia na história foi se desmanchando em fiapos.


"Às vezes, eu me sinto tão... sei lá... sozinha. O tipo de sentimento de impotência quando tudo a que se está acostumado foi despedaçado. Como se não houvesse mais a gravidade, e eu fosse deixada à deriva no espaço sideral. Sem a menor ideia de para onde estou sendo levada."


A história é narrada por K, um jovem professor de uma escola primária em Tóquio. Ele tem uma melhor amiga, Sumire, por quem é apaixonado. Infelizmente essa paixão não é correspondida. Sumire abandonou sua faculdade para tentar ser uma romancista. Em meio a suas tentativas de escrita ela se apaixona por Miu, uma mulher casada, bem-sucedida e misteriosa. Ao receber uma proposta, Sumire larga tudo e se joga em um novo mundo ao lado de Miu. Trabalho e muitas viagens de negócios tomam o lugar da pacata e exótica vida de Sumire. Mas o "esperado" (porque é bem previsível) acontece e o K. é chamado para resolver a situação.


"Acho que a maior parte das pessoas vive em uma ficção."


Eu amei o narrador desde o início, estava torcendo muito por ele, até que o encantamento se perdeu. Nada muito pontual, só fui me "desapaixonando" conforme a história se desenvolvia.


"Ser durona não é, em si mesmo, algo ruim. Mas olhando retrospectivamente, percebo que me acostumei demais a ser forte, e nunca tentei entender os que eram fracos. Acostumei-me demais em ser afortunada, e não tentei compreender os menos afortunados. Excessivamente habituada a ser saudável, não procurei compreender o sofrimento daqueles que não eram. Sempre que via alguém com problemas, alguém paralisado pelos eventos, eu concluía que a culpa era totalmente da pessoa - simplesmente não tinha se esforçado o bastante."


Algumas passagens são inexplicáveis e o desfecho fica no ar. Sabe aquelas lacunas que o leitor pode preencher como bem quiser? Então... eu gosto muito dessa liberdade de poder imaginar partes da história. E por mais que eu tenha achado o enredo bem mais ou menos, a escrita fluida e metafórica do Murakami, além de outros elementos que já mencionei, salvaram essa leitura.


"Não importa quão profunda e fatal seja a perda, o quão importante fosse o que nos roubaram - que foi arrebatado de nossas mãos -, mesmo que mudemos completamente, com somente a camada externa da pele igual à de antes, continuamos a representar as nossas vidas dessa maneira, em silêncio. Aproximamo-nos cada vez mais do fim da dimensão do tempo que nos foi estipulado, dando-lhe adeus enquanto vai minguando. Repetindo, quase sempre habilmente as proezas sem fim do dia-a-dia. Deixando para trás uma sensação de vazio imensurável."


Entendo todos os Muralovers e amei ter feito essa leitura em uma LC cheia de apaixonados por Haruki Murakami. Por mais que não tenha me fascinado como aconteceu com outros leitores na LC, ainda pretendo conhecer mais obras desse autor que sempre divide opiniões.


"O Mundo dos livros parecia muito mais vivo do que qualquer outra coisa fora dali."



Agora me contem! Você já leu esse livro ou algum outro do autor?


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚💕


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