• Kelly Rossi

Lolita - resenha


Título Original - Lolita

Autor - Vladimir Nabokov

Nacionalidade - Russo

Tradução - Victor Civita

Editora - Abril Cultural

Gênero - Romance

Páginas - 424

Ano - 1981

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "A alegre e ao mesmo tempo trágica paixão de um homem culto, 'um artista desprovido de arte', por uma atraente garota norte-americana, uma linda "ninfeta". Estranha história de amor que retrata, numa espécie de caleidoscópio, diferentes localidades e costumes americanos. O delicado tema é tratado com tal maestria que o valor literário sobrepujou o escândalo inicialmente suscitado pela obra."


Eu já sabia que seria uma leitura difícil devido ao tema abordado: pedofilia. Mas não esperava ficar tão encantada com a escrita. O autor, Vladimir Nabokov, escolhe com maestria cada palavra da narrativa. E não se engane achando que é apenas para embelezar o texto, não não não... todas as palavras, todas as sentenças são importantes e convindam o leitor a se questionar a todo momento. Eu nunca tinha lido um livro em que desconfiasse do narrador a cada página, o tempo inteiro... foi um verdadeiro exercício de conversa com o livro, uma leitura extremamente ativa. A minha sensação era que se eu vacilasse em algum ponto, em alguma vírgula, seria enganada pelo narrador, pelo grotesco Humbert Humbert (H. H.).


Humbert está perdido; perdido na vida e dentro de si mesmo. Ele está procurando por qualquer sentido de luz. Infelizmente, essa projeção de desespero assume a forma de uma criança. Ele se apaixona por Lolita, uma menina de apenas 12 anos, e pelo que ela representa para ele. Mas é claro que não é amor verdadeiro; Lolita é apenas um objeto sexual para Humbert, não uma pessoa. Para ele, seus sentimentos são perfeitamente justificáveis, até naturais. Sua visão de mundo é incrivelmente distorcida; assim, vemos tudo pelos olhos dele, suas percepções e seus sentimentos. Humbert é uma contradição ambulante. Obsessivo ao extremo, ele, às vezes, é incrivelmente arrogante, e outras vezes é passivo, tímido... Mas não esqueçam, ele é manipulador em tudo, até em suas fraquezas.


O conteúdo do livro é vil, Humbert é vil, e mesmo sabendo que a história é ficcional, o que a torna mais difícil de ler é saber que tudo o que é narrado nesse mundo fantasioso também acontece na vida real. Acredito que por isso eu demorei tanto para ler, e entendo perfeitamente quem não tem vontade de ler ou quem abandona a leitura pelo caminho. Acredito que as leituras têm momentos certos para acontecer e "Lolita" precisa muito desse time.



Nabokov explora a mente de um predador sexual, e acho que como leitores podemos aprender muito no processo, ver como se forma a constituição psicológica de tal criminoso. Compreender esse tipo de monstro é o primeiro passo para reconhecer esse comportamento em outros homens e detê-los. Mas precisamos de uma certa maturidade, ou talvez estômago, para encarar as páginas de "Lolita".


Apesar de repugnante, essa história de "terror" é uma obra de arte da literatura e vale todo o esforço.




Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!❤📚


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