• Kelly Rossi

João Miguel - resenha


Autora - Rachel de Queiroz

Nacionalidade - Brasileira

Editora - José Olympio

Gênero - Romance

Páginas - 160

Ano - 2022

ISBN - 9786558470809

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse (orelha) - "Tristão de Athayde considerava João Miguel o melhor dos quatro romances da primeira fase de Rachel de Queiroz. É o drama da prisão. Ainda é um romance profundamente rural, como O Quinze. Um crime e uma absolvição. E entre eles uma traição, uma traição de amor. Em João Miguel a autora se revela a grande mestra na arte de criar personagens vivas, um João Miguel a tomar consciência do seu crime, uma Salu, um seu Doca, uma Angélica. A obra se liberta da sua própria autora e vive por si.

João Miguel é um homem comum. A psicologia do preso é analisada com argúcia por Rachel. A mulher o abandona. Ele se vê só diante do destino que o perturba. Zé Milagreiro, que está preso na mesma cadeia, mata o tempo a fazer ex-votos, milagres de madeira, que são encomendados por gente que deseja pagar promessas. A angústia da prisão, a tensão de João Miguel, treme nestas páginas. O trabalho reequilibra o preso. E com a mão assassina ele vai compondo os seus trabalhos manuais com a fibra de carnaúba.

João Miguel é o romance da frustração e da espera angustiada. É um romance social, com um penetrante aprofundamento de análise psicológica. Rachel recria a vida de uma prisão numa pequena cidade do interior. Há uma mistura de fatalismo, de acaso, de injustiça social, neste romance que é o romance da solidão humana e, ao mesmo tempo, uma denúncia e um protesto."


"A grande causa de esquecimento, a responsável pela pouca contrição da gente e a pouca constância no arrependimento, é o tempo não ser, como o espaço, uma coisa onde se possa ir e vir, sair e voltar... O que se passa no tempo, some-se, anda para longe e não volta nunca, pior do que se estivesse do outro lado de terra e mar.

Afinal, quem se pode manter, num espelho, uma imagem que fugiu?"


"João Miguel" é aquele livro que começa quietinho, bem de mansinho, e quando a gente menos espera, ganha uma proporção gigante.


Foi meu primeiro contato com a escrita da Rachel de Queiroz e eu só sabia ficar encantada com tamanha delicadeza em transmitir suas mensagens. Uma prosa regionalista cheia de oralidade agradável.


O protagonista do livro dá título a obra, "João Miguel" trata a história desse homem de vida simples, humilde, um homem comum, que em um dia de samba, fica bêbado e acaba por tirar a vida de outro homem. Como consequência, João Miguel vai para a cadeia.


"Mas o pior desta vida não é a gente viver só não, dona... Em qualquer parte se acha companhia. O pior é a gente saber que não presta pra nada no mundo, que só serve pra andar se alugando, de patrão em patrão, feito burro de frente."



Quase 100% do livro se passa na cadeia. A Rachel consegue trazer a perspectiva da vida de um preso. Mas a obra não é apenas isso, de maneira muito singela, a autora construiu várias camadas significativas que propõem, ao leitor, inúmeros questionamentos e reflexões. João passa a se autoanalisar, e essa visão interna constratando com a externa fazem borbulhar nossos pensamentos.


Outra questão proposta nesse romance que também pode ser nomeado como social é como a justiça funciona de forma diferente para os ricos e os pobres.


"João Miguel" foi publicado pela primeira vez em 1932, mas que ainda hoje grita por atenção ao sistema carcerário brasileiro.


Eu não sabia muito o que esperar do desfecho, mas confesso que a surpresa foi muito positiva. Esse livro/protesto me fisgou e agora eu só desejo ter oportunidade de ler outras obras da autora.


Você já leu Rachel de Queiroz?





Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!❤📚




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