Hibisco Roxo - resenha


Autora - Chimamanda Ngozi Adichie

Tradução - Julia Romeu

Editora - Companhia das Letras

Gênero - Drama, Ficção Nigeriana

Páginas - 328

Ano - 2011

ISBN - 9788535918502

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse (orelha) – “Os efeitos da colonização branca na África podem ser mais penetrantes de devastadores do que imaginam a economia e a sociologia. Na Nigéria dos celulares e da internet, o catolicismo de um grande capitalista que oscila entre o altruísmo e a tirania religiosa e que rejeita as tradições de seu povo, ainda é capaz de assombrar a vida de sua família. Kambili, protagonista e narradora de Hibisco Roxo, conta de que maneira seu pai vai lentamente destruindo a vida de todos com uma mistura de fé, pavor e superação.

Ao mesmo tempo, o leitor conhece a realidade política, educacional e social do país, por meio do contato que Kambili mantém com Ifeoma, sua tia, professora universitária, e seus dois filhos, mais esclarecidos e rebeldes do que ela própria e seu irmão, ambos perseguidos pela sombra do pai. Seu avô, um contador de histórias encantador que se recusa a abandonar a crença tradicional nigeriana, e o padre Amadi, que consegue aliar a fé cristã ao respeito pela realidade do povo, também lhe ensinam a reconhecer outras possibilidades de vida e de amor.

A mistura de credos nativos e importados, os problemas salariais e pedagógicos de uma universidade nigeriana, a censura, a opressão política, a forma como o catolicismo penetra capciosa e poderosamente na moral local, quase tudo faz com que o leitor brasileiro se lembre de problemas bem familiares. A narrativa sobre a complexidade da formação psíquica e amorosa de uma adolescente africana é toda acompanhada pelas mudanças sofridas pelas flores de plantas: as buganvílias, os girassóis, os coqueiros, as casuarinas e, especialmente, os hibiscos roxos, variedade fruto de um experimento único, que gera flores raras, cobiçadas por todos. O crescimento dessa flor rara na casa de Kambili, prisioneira das convenções, aponta para mudanças radicais em sua vida. O bem e o mal se misturam de forma ambígua, mergulhando o leitor numa história bem mais complexa do que supõem as aparências.”


“Com frequência fazíamos perguntas cujas respostas já sabíamos. Talvez fizéssemos isso para não precisarmos formular as outras perguntas, aquelas cujas respostas não queríamos saber.”


Chimamanda apresenta, em seu primeiro romance, uma escrita potente com situações vívidas. As palavras usadas pela autora formam passagens delicadas, algumas até poéticas, mas com sinais de agressão e opressão nos pequenos detalhes.


“Também não esquentei a água, pois tive medo que a serpentina de aquecimento fizesse a água da chuva perder o cheiro de céu.”


Hibisco Roxo é narrado pela protagonista Kambili, uma adolescente controlada por convenções sociais familiares, que pertence a uma classe privilegiada na sociedade. Eugene, pai de Kambili, é um homem rico, poderoso e um católico fervoroso. Devido ao fanatismo anglicista pregado por Eugene, Kambili e seu irmão, Jaja, não conhecem a cultura de seu próprio país.


A violência que a mãe de Kambili sofre diariamente é intensa, horrível e triste de acompanhar. Tudo é passado para nós, leitores, pelos olhos e percepções da protagonista. Ela absorve toda a tensão e sofrimento que está a sua volta, e se apega a frágeis fios de esperança de que seu pai está certo e é uma boa pessoa. Para Kambili, Eugene ainda é seu pai herói. Mas por quanto tempo?


Eu como leitora, torcia a todo momento para que a máscara social do Eugene caísse, que Kambili trangredisse e se libertasse das garras desse que, para mim, é um grande monstro.


“Ela parecia tão feliz, tão em paz, e eu me perguntei como alguém perto de mim podia se sentir assim, quando havia fogo líquido me queimando por dentro, quando o medo misturado à esperança se agarrava nos meus calcanhares.”


Mas nem só de desgraceira vive Kambili. A conexão que ela tem com seu irmão, Jaja é linda e tocante. E quando a irmã de Eugene, tia Ifeoma, surge trazendo outra perspectiva para a história, tudo começa a se transformar.


“Seu sussurro era como ela – alto, exuberante, destemido, maior que o mundo.”


Chimamanda faz uso do antagonismo em várias cenas para nos fazer perceber e pensar. Alguns capítulos são uma verdadeira montanha-russa de sensações. Derramei lágrimas em algumas páginas e respirei fundo em muitas outras. Teve uma passagem específica que foi tão dolorida para mim que é impossível descrever em palavras, só sentindo mesmo. E eu acho essa habilidade da autora de me provocar dor física apenas com seus textos, algo magnífico.


“O silêncio que deixou foi pesado, mas confortável, como um casaco áspero e muito usado sendo colocado numa manhã gelada.”


O desfecho não é fácil de aceitar, mas é compreensível. Hibisco Roxo é mais uma obra que ensina muito. Além de trazer elementos históricos, sociais e políticos da Nigéria, o livro nos faz pensar sobre diferentes religiões e culturas, nos faz observar o íntimo e o indivíduo com mais cuidado. O ser humano é único, cada um tem uma vivência, uma história, e é preciso aprender a aceitar e a respeitar a decisão do outro.


“Não podemos ser parte daquilo contra o qual lutamos.”


Se você não tem problemas com livros que contêm gatilhos de abuso e violência doméstica, recomendo fortemente essa leitura vigorosa que grita liberdade!



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚💕


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