• Kelly Rossi

Herdeiras do Mar - resenha

Atualizado: 27 de set.


Título Original - White Chrysanthemum

Autora - Mary Lynn Bracht

Nacionalidade - Coreana

Tradução - Julia de Souza

Editora - Paralela

Gênero - Ficção Histórica

Páginas - 304

Ano - 2020

ISBN - 9788584391745

Classificação -⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Quando Hana nasceu, a Coreia já estava sob ocupação japonesa, e por isso a garota sempre foi considerada uma cidadã de segunda classe, com direitos renegados. No entanto, nada diminui o orgulho que tem de sua origem. Assim como sua mãe, Hana é uma haenyeo, ou seja, uma mulher do mar, que trabalha por conta própria seguindo uma tradição secular. Na Ilha de Jeju, onde vivem, elas são as responsáveis pelo mergulho marinho ― uma atividade tão perigosa quanto lucrativa, que garante o sustento de toda a comunidade. Como haenyeo, Hana tem independência e coragem, e não há ninguém no mundo que ela ame e proteja mais do que Emi, sua irmã sete anos mais nova. É justamente para salvar Emi de um destino cruel que Hana é capturada por um soldado japonês e enviada para a longínqua região da Manchúria. A Segunda Guerra Mundial estava em curso e, assim como outras centenas de milhares de adolescentes coreanas, Hana se torna uma “mulher de consolo”: com apenas dezesseis anos, ela é submetida a uma condição desumana em bordéis militares. Apesar de sofrer as mais inimagináveis atrocidades, Hana é resiliente e não vai desistir do sonho de reencontrar sua amada família caso sobreviva aos horrores da guerra. Em Herdeiras do mar, Mary Lynn Bracht lança mão de uma narrativa tocante e inesquecível para jogar luz sobre um doloroso capítulo da Segunda Guerra Mundial ainda ignorado por muitos."



🌊 "O medo é uma dor tangível pulsando através de seus membros como choques elétricos."


A guerra nunca tem vitoriosos, só devastação e tristezas que contaminam gerações em diversas nações. "Herdeiras do Mar" é mais do que uma ficção histórica, é um grito de denúncia por todas as barbaridades que meninas e mulheres sofreram e sofrem nas guerras.


O relato específico desse livro é um crime hediodo para com as "mulheres de conforto", como são conhecidas hoje.


Mas o que são "mulheres de conforto"? O termo é usado para descrever meninas e mulheres da Coreia do Sul, da China, das Filipinas e de outros locais que foram obrigadas a se prostituírem em bordeis militares japoneses durante a guerra.




O romance se alterna entre duas perspectivas: a vida de Hana durante a década de 1940 e a vida de Emi em 2011.


Tanto Hana quanto Emi viveram suas vidas sob ocupação japonesa; seus nomes coreanos, literatura e práticas culturais eram reprimidos e considerados ilegais. Vivendo na Ilha de Jeju, Hana era uma Haenyeo, uma mergulhadora do mar. Tanto ela quanto sua mãe, assim como algumas outras mulheres, desfrutavam de uma independência saboreada por poucos coreanos. Emi era muito jovem e por isso tinha que esperar na praia enquanto observava e esperava sua mãe e sua irmã terminarem o trabalho.


Um dia Hana viu um soldado japonês na praia indo em direção a sua irmã. Com toda a sua força, Hana se dirigiu para a costa, salvando Emi, sua irmã mais nova, mas no processo foi capturada e transportada para se tornar uma 'mulher de conforto'.


Mudando para 2011, somos informados da história de Emi e de sua vida tentando reprimir a infelicidade de seu passado, incluindo o sacrifício que sua irmã fez. No entanto, para descobrir a paz, ela precisou enfrentar seu passado e procurar valentemente por sua amada irmã.


Eu poderia dizer que "Herdeiras do Mar" é uma leitura fácil, até porque a escrita da autora é muito gostosa e instigante, mas a história tratada transforma cada virar de páginas em um peso no coração, os horrores narrados são sentidos na pele e a tristeza bate forte em saber que tais acontecimentos realmente existiram.


Hana descreve o horror absoluto de ser traficada e repetidamente estuprada e abusada. A história de Emi mostra os efeitos do desaparecimento de sua irmã, o Massacre de Jeju e seu casamento forçado com um homem que ela odiava durante a Guerra da Coreia. Apesar da quantidade incessante de horror que ambas as jovens enfrentaram, também mostra a absoluta resiliência e bravura das duas, e como o amor e a memória lhes davam alguma luz e esperança nessas circunstâncias terríveis.


A maioria dos historiadores estimam que cerca de 200.000 mulheres asiáticas foram roubadas, enganadas e vendidas como escravas sexuais pelos militares japoneses durante a expansão japonesa. Muitas dessas mulheres e meninas não voltaram para casa e ainda estão desaparecidas - suas famílias nunca encontraram respostas sobre o que aconteceu com elas. Histórias trágicas e desconhecidas.



Esse livro é fascinante, você vai mergulhar na cultura Haenyeo, ao mesmo tempo em que terá uma ampla visão das guerras na região da Coreia. Mas emerja um pouco para tomar ar antes de continuar, pois essa história importante e impossível de ser desmentida, também é totalmente devastadora.



Eu só espero que um dia o Japão, que é um país tão querido pra mim, faça uma retratação devida a todo esse pavor.



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚❤



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