• Kelly Rossi

Cem Milagres - resenha


Autoras - Zuzana Ruzicková e Wendy Holden

Tradução - Claudio Carina

Editora - Globo Livros

Gênero - Biografia

Páginas - 352

ISBN - 9786586047196

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse (orelha) - "Suzana Ruzicková cresceu na antiga Tchecoslováquia durante a década de 1930 sonhando com duas coisas: Johann Sebastian Bach e o piano. Entretanto, sua infância tranquila e repleta de música foi destruída quando, em 1939, os nazistas invadiram seu país. Arrancada de sua casa, ela foi enviada para os campos de concentração de Auschwitz, Neuengamme, próximo a Hamburgo, e Bergen-Belsen. Faminta e com ferimentos nas mãos que colocavam em risco seu futuro como pianista, Zuzana sofreu uma série de perdas devastadoras. entre cada transferência de um inferno para o próximo, um pedaço de papel com a partitura de sua sinfonia preferida de Bach se tornou uma espécie de talismã.

Munida dessa pequena prova de que a beleza ainda pode existir mesmo nos ambientes mais hostis e de sua inesgotável coragem, Zuzana conseguiu sobreviver a uma das maiores atrocidades da história da humanidade do governo opressor da Tchecoslováquia pós-guerra. Graças a seu talento e dedicação e incentivada pelo amor de seu marido, o compositor Viktor Kalabis, Zuzana se tornou uma das musicistas mais premiadas do século XX e a primeira cravista a gravar as obras completas de Bach.

A história de Zuzana, contada pela própria um pouco antes de sua morte, em 2017, é um testemunho poderoso dos horrores do Holocausto e seu testamento para as próximas gerações sobre a importância de dar voz a todos aqueles que sofrem nas mãos de governos totalitários.

Ao longo de toda a sua longa e extraordinária vida, Zuzana transformou, por meio de sua arte, a tragédia em alegria e a dor em beleza."


"Na música de Bach há sempre o máximo da alegria de viver e também a mais desesperada tristeza. Sempre somos tocados pelo profundo sentimento de sermos humanos."


"Cem Milagres" é a biografia de Zuzana Ruzicková, contada por ela mesma, um pouco antes de seu falecimento, para sua biógrafa Wendy Holden.


"Quem estava certo? Será que importa? Todos podem ter sua opinião e sua própria interpretação, com base na própria experiência."


Apesar da temática pesada de Segunda Guerra Mundial e Holocausto, senti a leitura desse livro, na medida do possível, mais leve, quando comparado a outros livros do tema. Acredito que a tensão foi reduzida devido ao estilo da narrativa não ser linear.

Então, primeiro conhecemos uma Zuzana já adulta e só depois voltamos um pouco mais ao passado e vivenciamos toda a sua infância e adolescência na antiga Tchecoslováquia.


"... a doçura permanece para sempre, se for saboreada antes da amargura."


Desde muito nova, Zuzana já amava a música. E não cansava de se dedicar ao piano, mesmo quando estava se recuperando de uma tuberculose. O músico Bach foi mais que uma inspiração, acabou virando uma filosofia de vida para Zuzana. Quando já estava vivendo um inferno nos campos de concetração pelos quais passou, entre eles: Auschwitz, Neuengamme, próximo a Hamburgo, e Bergen-Belsen, ela carregava, como um talismã, um pedaço de papel com a partitura de sua sinfonia preferida de Bach.


"Todo poema, toda ópera que você conseguir representar para si mesmo ou para os outros representa um meio de fuga quando o mundo lá fora se torna insuportável."


E esse talismã foi responsável por uma das cenas da vida de Zuzana que mais me marcou. Sem ele, talvez Suzana e sua mãe tivessem se separado precocemente durante a Guerra. O relacionamente das duas é lindo. Amor de mãe e filha que superou muito sofrimento.


"... a maior tragédia para os que sofreram meu destino era se sentirem, de alguma forma, excluídos da raça humana."


A dureza da sobrevivência nos campos causou em Zuzana ferimentos profundos. Suas mãos ficaram quase inutilizáveis para a música e foi preciso muita persistência e perseverança para retomar seus estudos e firmar carreira. Zuzana optou em se dedicar ao cravo, um instrumento musical parecido com o piano, mas muito mais difícil de trabalhar em vários sentidos. A união de um instrumento negligenciado com uma pessoa cheia de traumas acabou dando certo, e Zuzana se tornou uma das musicistas mais premiadas do século XX e a primeira cravista a gravar as obras completas de Bach.


A imagem abaixo é de um cravo com dois teclados. O cravo era considerado um instrumento religioso e feudal.



"A única filosofia verdadeira é o humanismo - o conceito de que não podemos dizer de qual raça ou classe alguém é e que, de qualquer forma, isso não importa."


Além de sofrer a Guerra e o Holocausto, Zuzana também viveu o totalitarismo comunista que a privou de muitas coisas.


"ver como o homem podia liquidar outro de maneira tão desumana, tudo isso levava ao colapso de qualquer fé na humanidade e nos homens."


"Cem Milagres" confirma que o ser humano pode ser terrível, mas também pode ser maravilhoso. Zuzana é uma inspiração! Uma sobrevivente que mostrou que é possível achar beleza e esperança em meio ao caos.


"... mesmo nas situações mais desesperadoras, é possível ressuscitar dos mortos. Enquanto alguém tiver uma centelha de esperança dentro de si, ainda é possível viver."



Você já conhecia esse livro? Gosta de leituras que abordem a Segunda Guerra Mundial? Vamos conversar!



Beijos um ótimo voo a todos e até a próxima!📚💕

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