• Kelly Rossi

A Vida Mentirosa dos Adultos - resenha


Título Original - La vita bugiarda degli adulti

Autora - Elena Ferrante

Nacionalidade - Italiana

Tradução - Marcello Lino

Editora - Intrínseca

Gênero - Romance de Formação

Páginas - 432

Ano - 2020

ISBN - 9788551006375

Classificação - ⭐⭐⭐


Sinopse - "As mudanças no rosto de Giovanna anunciam o início da adolescência e não passam despercebidas em casa. Dois anos antes de abandonar a família e o confortável apartamento no centro de Nápoles, Andrea não se dá conta do que sentencia quando sussurra para a esposa que a filha é muito feia. Essa feiura estética, mas que também indica uma possível falha de caráter, recai sobre Giovanna como uma herança indesejável de Vittoria, a irmã há muito renegada por Andrea. Aos doze anos, a menina vê um rosto no espelho e, embora não compreenda a fundo o peso daquela comparação, sente que algo está irremediavelmente à beira de um abismo.

O amor e a proteção oferecidos pelo lar são as primeiras estruturas a desmoronar quando Giovanna decide conhecer a mulher que pode encarnar seu futuro. Os encontros com a tia são o ponto de partida para o embate com inúmeras questões existenciais ― é possível pertencer a algum lugar em uma Nápoles de contrastes entre o cinza industrial e sua sociedade rica e instruída? Ou transcender os erros e pecados cada vez mais aparentes de pais outrora perfeitos? Como sobreviver ao despertar do desejo?

Ao longo dos anos acompanhamos os percalços da transição da infância protegida de Giovanna a uma adolescência exposta às complexidades daqueles que a cercam, evocando também a possibilidade de levar a vida adulta como nenhuma outra mulher fizera até então. Um romance extraordinário sobre transições, paixões e descobertas."


"VOCÊ FAZ BEM EM TER MEDO. É PRECISO SENTIR MEDO MESMO QUANDO NÃO É NECESSÁRIO, PARA NOS MANTER EM ALERTA."


Esse foi o quarto livro da Ferrante que eu li, e até agora as narradoras são mulheres que galgam com empenho o crescimento social. Mas em "A Vida Mentirosa dos Adultos" essa tragetória é um pouco diferente. Aqui. a protagonista, Giovanna, que dá voz a narrativa, precisa sair de seu patamar social para conseguir entender um pouco mais da sua própria origem. "EU SÓ TINHA UMA CERTEZA: PARA IR ATÉ ELES, ERA NECESSÁRIO DESCER, DESCER, DESCER CADA VEZ MAIS, ATÉ A MAIS FUNDA DAS PROFUNDEZAS DE NÁPOLES, E A VIAGEM ERA TÃO LONGA QUE EU ACHAVA, NAQUELAS OCASIÕES, QUE NÓS E OS PARENTES DO MEU PAI MORÁVAMOS EM DUAS CIDADES DIFERENTES."


A escrita da Ferrante é potente, visceral, arranca o leitor do seu lugar de costume e esfrega diante de seus olhos alguns temas que muitas vezes não são confortáveis de conversar. Em "A Vida Mentirosa dos Adultos" a autora mantém esse eixo problemático que seus leitores já estão acostumados, mas ela também acrescenta outros dois elementos que, para mim, se destacaram bastante: sexualidade e religião.


A obra traz Giovanna rememorando um período de sua vida, mais especificamente as experiências que viveu entre os 12 e 16 anos.


Tudo começa quando Giovanna passa a ter dificuldades na escola e escuta seu pai a comparando com sua tia Vittoria, uma pessoa nada bem vista na família. Depois disso, as inseguranças normais da pré-adolescência tomam conta de seus passos. E assim começamos a acompanhar a jornada da narradora rumo à vida adulta e a descoberta de seu verdadeiro EU.


Fiz essa leitura pela LC extra do @clubelendorainhaChristie. Conversar e conhecer as opiniões das outras integrantes do grupo foi essecial para ampliar meu olhar sobre essa história.

Até agora, foi o livro que eu menos gostei da autora. Dos romances, ainda lerei "Um Amor Incômodo" e "A Tetralogia Napolitana" que pretendo deixar para o final.

O que mais me incomodou em "A Vida Mentirosa dos Adultos" foi o excesso de problemática, senti que isso sobrecarregou a narrativa. Mesmo assim é um bom livro e podemos aproveitar muito dele.


E claro, não podemos esquecer que é a Giovanna adulta que está lembrando e contando essa história, e assim como diz o título bem provocativo "A Vida Mentirosa dos Adultos", quem sabe tudo não é apenas um grito da impossibilidade de proteção da verdade? Fica para a gente refletir. “NA VERDADE, NÃO SOU NADA, NADA DE MEU, NADA QUE TENHA DE FATO COMEÇADO OU SE CONCRETIZADO: SÓ UM EMARANHADO QUE NINGUÉM, NEM MESMO QUEM NESTE MOMENTO ESCREVE, SABE SE CONTÉM O FIO CERTO DE UMA HISTÓRIA OU SE É APENAS UMA DOR EMBARALHADA, SEM REDENÇÃO."




Já leu Elena Ferrante?



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚❤



"FIQUEI COM VERGONHA DE TER NASCIDO MULHER, DE ESTAR DESTINADA A SER TRATADA DAQUELA MANEIRA POR UM HOMEM MESMO QUE EU TIVESSE ESTUDADO, MESMO QUE OCUPASSE UM CARGO DE DESTAQUE."



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