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  • Kelly Rossi

A Casa da Paixão - resenha


Autora - Nélida Piñon

Nacionalidade - Brasileira

Editora - Record

Gênero - Romance

Páginas - 128

Ano - 2022

ISBN - 9786555874013

Classificação - ⭐⭐⭐


Sinopse - “Havia naquela casa uma emoção de sombra”, lê-se a dada altura de A casa da paixão, romance lançado em 1972 e que marcou época pela forma como trata a sexualidade feminina. Marta, a jovem protagonista, integra a formidável galeria de mulheres poderosas que distingue a literatura de Nélida Piñon.

Vivendo entre a latência incestuosa do pai e a submissão quase animalizada de Antônia, sua ama de criação, Marta é afirmativa, destemida e livre das culpas tradicionalmente inculcadas pelo mundo masculino. Seu desejo é solar e, procurando expandir-se, vive em luta surda com o ambiente sufocante da casa paterna. O meio natural é o espaço de libertação de seu prazer. Mas grandes mudanças se anunciam com a chegada de Jerônimo, o pretendente escolhido pelo pai, ameaça de perpetuação do domínio masculino, com inesperado desfecho.

A linguagem do romance é de rara beleza, ao mesmo tempo forte e poética, mas sempre carregada de sensualidade. Como diz o escritor e sociólogo Sérgio Abranches, no prefácio feito especialmente para esta nova edição: “Nélida Piñon é como uma abelha literária, mel e ferrão; tece seu texto com fineza e muitas transgressões.”

"Agora o calor do sol invade todo o nosso reino sanguíneo, podiam viver a morte e não morrer."


O título do romance fala por si! "A casa da paixão" é uma explosão de desejos de todos os tipos: do corpo, da natureza, da mente, da alma... Por outro lado, a descrença, a incompreensão e a intolerância do homem também reverberam nas páginas.

Esses elementos caminham juntos por todo o romance. Nesse livro (é o único que li da autora por enquanto, então estou me baseando apenas nele), a escrita da Nélida é pura, sem modéstia ou embelezamento. E por ironia, essa falta de embelezamento é tão natural que deixa as passagens belíssimas.


"Sol abrasando o lombo, descasca minha pele, aspereza tão digital que me faço água no vasilhame, aceito a forma que ele me dá. Sou a carne que ele desnuda. E a paixão da minha carne, afinal decidida à força dos raios, é semelhante aos que se destinam à morte."

As falas das personagens se misturam em um mesmo diálogo transmitindo uma união, como se os pensamentos de uma tivessem se diluindo na outra, causando uma fluidez no texto e na leitura.


Essa prosa-poética intimista de transgressão se passa em uma espécie de sertão. Acompanhamos o desabrochar sexual da personagem Marta. O autodescobrimento da protagonista Marta me lembrou de Loreley, do livro "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres", da Clarice Lispector, que eu tanto amo.

A sexualidade feminina abordada no livro é quase que mitológica. E apesar de eu ter ficado bem triste com o desfecho, acredito que nessa obra, o que importa é a viagem e as sensações despertadas, mais do que a história em si.



Sobre a autora:

"Carioca, Nélida Piñon estreou em 1961 com o romance Guia-mapa deGabriel Arcanjo. Ao longo de sua carreira, colaborou em publicações nacionais e estrangeiras, proferiu conferências em diversos países e foi traduzida para diversas línguas. É catedrática da Universidade de Miami desde 1990, havendo sido escritora-visitante das universidades de Harvard, Columbia, Johns Hopkins e Georgetown. Recebeu os prêmios brasileiros Golfinho de Ouro, Mário de Andrade e Jabuti ― este, de melhor romance e livro de ficção de 2005, por Vozes do deserto. E os internacionais Juan Rulfo, do México; Jorge Isaacs, da Colômbia; Gabriela Mistral, do Chile; Rosalía de Castro, e Menéndez Pelayo, da Espanha. Em 2005, pelo conjunto de sua obra, recebeu o importante Príncipe de Astúrias. É doutora honoris causa das universidades Poitiers, Santiago de Compostela, Rutgers, Florida Atlantic, Montreal e UNAM. Em 1990, foi empossada como imortal pela Academia Brasileira de Letras e, em 1996, por ocasião do centenário da Academia, tornou-se a primeira mulher a presidi-la. Em 2012, foi nomeada Embaixadora Ibero-Americana da Cultura."



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚❤


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