• Kelly Rossi

A Biografia Íntima de Leopoldina - resenha


Autor - Marsilio Cassotti

Tradução - Sandra Martha Dolinsky

Editora - Planeta

Gênero - Biografia

Páginas - 324

Ano - 2021

ISBN - 9786555352894

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Leopoldina chega ao Brasil em 1817. O príncipe dom Pedro, mesmo alheio à escolha de uma esposa, esmera-se para agradá-la, enquanto uma parte da corte, liderada por sua sobra, Carlota Joaquina, a trata com frieza, pois preferiam uma '[...] portuguesa ou espanhola'.

O príncipe não é tão seletivo; quando se trata de amor (físico), basta-lhe que seja mulher. De modo que após noites de paixão com sua rubicunda princesa germânica, ele volta aos braços da amante francesa. Como quase todas as esposas da época, Leopoldina sublima a infidelidade conjugal em constantes gestações e na criação de seus filhos, desabafando as mágoas em cartas a sua irmã mais velha, porque 'os homens são [...] cópias das borboletas'.

Depois da partida de dom João VI e seu séquito para Portugal, em 1821, as 'revolucionárias' cortes portuguesas retiram do Brasil a categoria de reino. O príncipe se apaixona por uma bela (e astuta) paulista, Domitila de Castro. Leopoldina deixa de lado o rancor e assume a tarefa de convencer sutilmente o marido a declarar a independência. Quando consegue, colabora com a organização do novo Império do Brasil. Pedro a 'premia' nomeando Alteza Real a filha que tem com sua amante. Para calar os rumores que minam o seu prestígio, antes de partir para a região Cisplatina, ameaçada por inimigos, ele pretende inclusive que Domitila esteja no beija-mãos de despedida, ao lado de sua esposa, de novo grávida. Diante da negativa desta, o imperador 'tentou forçar dona Leopoldina a entrar no salão onde se realizaria a cerimônia'. À noite, o estado de saúde da imperatriz, debilitada por anos de humilhações, se agrava perigosamente..."


QUEM FOI LEOPOLDINA?


Nascida em 22 de janeiro de 1797, em Viena, Leopoldina cresceu com a mais requintada das educações, conviveu com o escritor Goethe e o compositor Schubert. Uma mulher brilhante, fascinada por artes, amante das ciências naturais, interessada pela política, era poliglota e uma grande estrategista. Movida pelo amor e por grandes sonhos, mudou-se para o Brasil ao encontro de seu príncipe dom Pedro.


"... graças as suas esposas que os reis conseguiam que se realizassem grandes feitos na história."


As mulheres da dinastia de Habsburgo sempre casavam por interesses políticos. Eram casamentos arranjados, às vezes com homens que nem sequer chegariam a estimar ao longo da vida. Mas não foi o que aconteceu com Leopoldina. Ela teve opção, mas se apaixonou por seu príncipe que, segundo ela, "era tão belo quanto Adônis".


"Quero aplicar toda a minha força de ânimo para fazer a felicidade das criaturas que tiver que governar."


Como o amor é cego, não? Infelizmente, Leopoldina não teve uma vida fácil, e descobriu da pior forma o que era estar casada com um macho alfa que considerava suas amantes como troféus de guerra (e assim nascia uma sociedade patriarcal😕). A Imperatriz se apegava a sua fé religiosa e se dedicava ao seu país dos sonhos (Brasil). Mas depois que dom Pedro se apaixonou por Domitila e assumiu sua nova relação abertamente, a humilhação e o sofrimento de Leopoldina foram tamanhos que uma grande melacolia a dominou completamente.


"Sua formação religiosa teve uma profundidade e uma intensidade que raramente se econtrava nos altos estratos sociais daquele tempo."


Mas o que fez Leopoldina de tão importante que deveria ser louvado e lembrado por todos os brasileiros? Além de ser uma visionária em todos os aspectos, ela se manteve firme em um momento crucial da história.


D. Pedro precisou se afastar para resolver uma rebelião provincial em São Paulo e a Leopoldina assumiu o cargo de Impertatriz regente. Nesse meio tempo, Lisboa começou a enviar cartas pressionando retirar a categoria de reino do Brasil. Como João VI já tinha retornado a Portugal, eles queriam que o Brasil voltasse a ser uma mera colônia. Mas Leopoldina (sim, foi ela), junto com José Bonifácio, assinou a declaração de Independência do Brasil e depois convenceu seu marido a proclamá-la.


Essa biografia pode ser lida como se fosse um romance. A escrita é ágil e de grande precisão histórica. O autor faz uso de trechos das cartas de Leopoldina para formar as passagens e ir relatando de forma intimista toda a vida dessa mulher excepcional.


Acompanhamos a vida de Leopoldina, desde sua infância como arquiduquesa austríaca, durante os terrores das guerras napoleônicas contra a Áustria, até seus últimos dias como Imperatriz do Brasil.


Eu amei essa leitura e recomendo muitíssimo. A edição está muito caprichada, com excelente tradução e ilustrações belíssimas em cores.


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima! 📚💕

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