• Kelly Rossi

1984 - resenha


Autor - George Orwell

Tradução - Alexandre Hubner e Heloisa Jahn

Editora - Companhia da Letras

Gênero - Ficção Científica; Ficção Política; Distopia

Páginas - 544

Local - São Paulo, 2019

ISBN - 9788535932966

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Quando foi publicada em 1949, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos. Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia "ministérios da defesa" dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o "Ministério do Amor" é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O'Brien. Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas - e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for."



“Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”

"1984" é um clássico da ficção científica distópica que apresenta a imagem mais vívida do totalitarismo. Um pesadelo perigoso que não devemos deixar acontecer.

Antes de falar sobre a história do livro, preciso pontuar que a obra foi publicada em 1949, em um período no qual o sistema político era bem diferente do atual. Com base na realidade observada por George Orwell, ele cria um mundo que se passa no futuro de sua época. Vários elementos e fatos abordados em “1984” são facilmente comparáveis com vários momentos da História, inclusive o nosso, o que torna essa obra fantástica e atemporal.


O mundo foi dividido em três grandes continentes que vivem uma guerra sem fim, são eles: Eustásia, Lestásia e Oceânia.


"Oceânia - o maior dos impérios, governa toda a Oceania, América, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África.

Eurásia - o segundo maior império, governa toda a Europa (exceto Islândia, Reino Unido e Irlanda), quase toda a Rússia e pequena parte do resto da Ásia.

Lestásia - o menor império, governa países orientais como China, Japão, Coreia, parte da Índia e algumas nações vizinhas."



A Oceânia é governada pelo Partido e não há democracia. O Partido é comandado pelo Grande Irmão e seu lema é:


“Guerra é Paz

Liberdade é Escravidão

Ignorância é Força”


Em uma realidade onde só importa o poder pelo poder, presenciamos um horror social que consiste na persistência de relações inumanas entre humanos. E é nesse contexto que conhecemos Winston.


Para manter os objetivos do Partido, existem vários Ministérios. O Winston trabalha no Ministério da Verdade, onde acontece a deturpação da verdade e incessante reescrita da história. O passado é alterado de acordo com os interesses do Partido e todos os registros de alterações são apagados. Ou seja, as pessoas não têm acesso às informações verídicas. Ninguém consegue ter certeza do próprio passado, apenas pensam aquilo que é permitido. Isso mesmo! O Partido controla os pensamentos com a ajuda da Polícia das Ideias e das teletelas. Mas o que são as teletelas? São aparatos tecnológicos (semelhante aos televisores) instalados nas casas e ambientes comunitários com o intuito de espionar e propagar as ideias do Grande Irmão 24 horas por dia.

Cena do filme 1984

Outra ferramenta de controle usada pelo Partido é a cultura do ódio. Existe um ritual de 2 minutos por dia onde a imagem de Goldstein, rival do Grande Irmão, é exposta em uma grande teletela e as pessoas se reúnem para gritar e canalizar toda sua ira naquilo que o Partido quer que elas odeiem. Cultuar o ódio é tão importante em “1984” que existe a Semana do Ódio, um evento que as pessoas se dedicam e se reúnem com o único objetivo de odiar aqueles que são contra o Partido.


Como Goldstein é um nome judeu, as cenas de ódio me remetem aos nazistas. Aliás, o livro é cheio de referências. No início, pensei que estava diante de uma sátira parecida com "A Revolução dos Bichos", pois temos Stalin como Grande Irmão, Trotsky como Goldstein e Winston como Winston Churchill. Achei tudo isso genial, mas conforme a leitura foi fluindo, percebi que o livro era muito maior que uma simples sátira.

Para manter a verdade mutilada e a linguagem distorcida, uma nova língua foi criada: a Novafala. O único objetivo da Novafala era estreitar o âmbito do pensamento através da escassez da comunicação, com palavras que deixavam de existir ou eram enxugadas.

O ambiente em “1984” é grotesco, sujo e caótico. Winston se sente diferente das outras pessoas, suas memórias não estão totalmente afetadas e acompanhamos sua luta contra o partido e contra o “duplipensamento”, um termo criado na Novafala, que representa a aceitação de uma pós-verdade como verdade. Exemplo: Quando o Partido fala que 2+2=5, mesmo sabendo que o resultado é 4, o 5 é aceito como verdadeiro.

“Muito mais difícil é detectar o duplipensamento dentro de nós mesmos. Enxergar o que está bem diante de nosso nariz exige um esforço constante.”

Amizade ou qualquer relacionamento amoroso que não representasse benefício ao Partido, eram proibidos. Os únicos que podiam desfrutar de um pouco de liberdade eram os Proletas, pessoas consideradas miseráveis que faziam parte de 85% da população. O Partido considerava os Proletas menos que animais.

“As massas só podem desfrutar de liberdade intelectual porque carecem de intelecto.”

A sutileza com que o autor trata a questão das grandes massas em "1984" é um grande tapa na cara. Winston chega a perceber a importância dos Proletas, mas quando surge uma possibilidade de mergulhar de cabeça em uma conspiração contra o Partido, fica difícil manter sua essência.


“As massas nunca se revoltam por iniciativa própria, e nunca se revoltam não só porque são oprimidas. Acontece que enquanto não lhes for permitido contar com termos de comparação, elas nunca chegaram sequer a dar-se conta de que são oprimidas."




Acompanhar a trajetória de Winston nessa história não foi nada fácil. A leitura foi lenta, pois a cada página me deparava com uma nova reflexão. O nível de análise e percepção de contexto político do George é tão aguçado que assombra. Em alguns momentos a impressão que eu tive era que ele tinha poderes mediúnicos. Porque, sério... é impressionante! Só lendo para entender. E eu espero muito ter aguçado a curiosidade de vocês para fazer essa leitura. Ela pode ser difícil, principalmente se não estiver acostumado com o gênero, mas vale muito a pena.

Perceber como nossa liberdade é frágil foi o que mais me marcou nessa leitura.


O livro foi adaptado para o cinema duas vezes. A primeira em 1956 e a segunda em 1984. Eu assisti ao filme mais recente e gostei bastante. A fotografia é excelente e remete exatamente aos cenários retratados no livro. Também gostei dos atores, que representarem muito bem a imagem que criei de cada personagem.


Para quem não leu o livro é um pouco confuso de entender o filme, porque tem muitos detalhes que são bem difíceis de adaptar. Aconselho que faça a leitura antes para aproveitar melhor o filme.



Pelo cartaz do filme, é possível perceber que temos uma personagem que faz parte da história: seu nome é Julia. Apesar de ser importante na história, eu não menciono sobre ela porque não quero estragar a experiência que vocês possam ter com essa leitura. O aparecimento da Julia me trouxe um misto de emoções e deixou a história um tantinho mais leve. Pronto, qualquer coisa além disso pode ser spoiler. 🙈


Agora é a sua vez! Você tem vontade de ler esse clássico? Se já leu, o que você acha que poderíamos fazer para evitar que tal situação se torne realidade?


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!📚💖

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