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  • Foto do escritorKelly Rossi

Teatro Completo II do Eurípides - resenha


Autor - Eurípides

Nacionalidade - Grego

Tradução - Jaa Torrano

Editora - 34

Gênero - Tragédias

Páginas - 488

Ano - 2022

ISBN - 9786555251333

Classificação - 5⭐


Sinopse - "O crítico Otto Maria Carpeaux já observou que, nas peças de Ésquilo, os heróis representam coletividades, enquanto, nas tragédias de Eurípides, quem fala, age, vive e padece são, acima de tudo, indivíduos que se manifestam "em oposição sistemática contra as ordens estabelecidas". Talvez esteja aí uma das chaves do páthos e da permanência da obra euripidiana, que continua a comover e a interrogar seus leitores cerca de 25 séculos depois de ter sido criada.

Tal afirmação é sem dúvida verdadeira para caracterizar a disposição moral e os gestos de protagonistas femininas tão marcantes quanto Fedra, Andrômaca ou Hécuba, que seriam reinventadas uma infinidade de vezes pelos autores os mais diversos na história da literatura e cujas palavras são aqui restituídas aos leitores brasileiros na tradução precisa do poeta e ensaísta Jaa Torrano, professor titular de Língua e Literatura Grega da Universidade de São Paulo.

A presente publicação - que reúne as peças Os Heraclidas, Hipólito, Andrômaca e Hécuba, representadas nos concursos trágicos de Atenas entre 430 e 424 a. C. aproximadamente - constitui o segundo volume do Teatro Completo de Eurípides em edição bilíngue, na qual cada peça é acompanhada por um estudo introdutório do tratudor."


Quão atuais são nossos ancestrais! As peças de Eurípides podem trazer cada vez mais significados após muitas leituras e podem ser lidas mais de uma vez para atingir seus diferentes significados.

Eurípides nos faz focar no lado sombrio da vida humana, mas também nos arranca de nossa complacência com a bondade inata da humanidade. A tristeza que se sente ao ler suas peças é real e palpável. Ele também comenta sobre a injustiça dos costumes sociais de sua época; o status das mulheres e o orgulho dos homens atenienses. Eu amo a extravagância das figuras femininas em suas peças.


Vou deixar aqui um pouquinho das minhas impressões de cada peça que formam esse segundo volume.


Os Heraclidas - As personagens são desenhadas de forma limpa e oferecem fortes contrastes entre si. A introdução interpretativa do tradutor é muito útil, oferecendo um contexto vital para a compreensão do significado que um público grego antigo teria atribuído às falas e ações das vários personagens. A peça, encenada pela primeira vez durante a Guerra do Pelopeneso, pode ter levantado questões incômodas para os atenienses quanto à sua extensão, ao qual a guerra havia comprometido os valores atenienses de hospitalidade e conduta correta em relação aos oponentes. Adoraria ver essa peça encenada.


Hipólito - uma peça sobre emoções, características e sentimentos humanos. Além disso, trata-se de relacionamentos, o relacionamento entre as pessoas, entre homens e os deuses, e o relacionamento entre os próprios deuses. Os humanos estão sujeitos às regras, decisões e ordens dos deuses e não podem escapar de seus próprios destinos ditados. Uma bela peça sobre a compaixão e a condição humana. Seu coração se parte por todos aqueles humanos presos na teia dos deuses. Fedra e Hipólito sofrem de orgulho e negligenciam alguns deveres para com suas divindades. Teseu condena seu filho à morte injustamente e sofre uma dor imensurável.


Andrômaca - tendo como foco a vida de Andrômaca, anos após o saque de Troia, a morte brutal de seu marido Heitor e filho e, também, sua escravização. É doloroso acompanhar sua situação como escrava e amante do filho de Aquiles, Neoptólemo, e as ameaças que ela e seu filho enfrentam de sua esposa estéril Hermione e seu pai Menelau. A peça de alguma forma lança luz sobre a diferença entre modos de vida espartanos e troianos! As consequências adversas e a miséria que a guerra traz para as pessoas, os desafios e infortúnios que a vida pode trazer sobre os indivíduos, os potenciais impactos destrutivos do ciúme mórbido, perda de riqueza, status e autoridade, a importância de ter filhos, o papel dos deuses e sua intervenção na vida do homem, egoísmo cego, assassinato como forma de atingir objetivos pessoais, preconceito e ódio são apenas alguns dos temas trabalhados nessa peça. Eu amei em particular, ter conhecido um lado mais empático da Tétis, mãe de Aquiles.


Hécuba - é o símbolo da miséria. Uma tragédia maravilhosa, mas muito dolorosa. A peça é centrada na vida de Hécuba, esposa do rei Príamo de Troia, após o saque de Troia, ela foi levada para ser escrava dos gregos. Ganância, oportunismo e o poder da situação são alguns temas trabalhados. Aqui, observamos a transformação e desenvolvimento da vítima. A linguagem é poética e bela, e a tragédia sensibiliza por sua comoção e encanto.



Leiam os clássicos gregos!



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