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  • Foto do escritorKelly Rossi

Águas-vivas não têm ouvidos - resenha


Título Original - Les Méduses n'ont pas d'oreilles

Autora - Adèle Rosenfeld

Nacionalidade - Francesa

Tradução - Flavia Lago

Editora - Fósforo

Gênero - Romance

Páginas - 200

Ano - 2023

ISBN - 9786560000001

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "Louise F. habita uma margem invisível entre dois mundos. Surda oralizada, desde os cinco anos precisa preencher as lacunas provocadas por uma deficiência auditiva, atravessando o que descreve como “ondas movediças do silêncio”. As horas que passou treinando leitura labial, interpretando, deduzindo e reconhecendo sons esparsos fizeram com que ela transitasse no mundo dos ouvintes, mas sem deixar de sentir as dificuldades próprias das pessoas com surdez. Com o tempo, a perda auditiva de Louise progride, e chega um momento em que ela precisa decidir se opta pelo implante coclear ou mergulha de uma vez no silêncio. A falta de contornos não é limitadora, ao contrário, a partir da ambivalência da personagem, Adèle Rosenfeld constrói uma narrativa delicada e imaginativa, que oferece novas miradas sobre a realidade de Louise, que é também a sua. Em Águas-vivas não têm ouvidos, os vestígios das palavras se transformam em presença, e da fantasia da protagonista emergem figuras que acompanham seus percalços para se ajustar às expectativas de um mundo que não a reconhece: um soldado inglês a ajuda a decifrar as palavras; um cachorro a segue para todos os cantos e uma botanista a auxilia na manutenção de um herbário sonoro, espécie de diário de ruídos cotidianos em que Louise, na urgência de preservar sons dos quais tem memória, arquiva a sirene dos bombeiros, o rugir da tempestade e o chiado da fritura de cebolas. Neste romance repleto de humor e poesia, os leitores estão submersos na imaginação vívida de sua protagonista, guiados por uma escrita onírica e sensível em que os sons têm cores, o ato de comunicar torna-se uma investigação no estilo detetivesco e as palavras se materializam, ganham corpo e escapam em um ritmo próprio. Na busca de reconciliação e autorreconhecimento, Louise se embrenha nos buracos da linguagem que conhece tão bem e a que tem tão pouco acesso. Estrangeira na própria língua, invisível na própria deficiência, resta a ela a tarefa de encontrar, como acontece com as águas-vivas, o equilíbrio e a sensibilidade para orientar seu caminho."


"Águas-vivas não têm ouvidos" carrega uma história íntima com um sopro poderoso de sensibilidade.

🍥"Só a leitura seria capaz de acalmar a angústia da morte, ver as palavras intactas, palpáveis, impressas."

Acompanhamos a história pela perspectiva de Louise. Vemos de perto suas lutas para encontrar o seu lugar no mundo. Louise é surda oralizada, desde a infância ela preenche os silêncios causados por sua deficiência. Com o tempo a perda auditiva de Louise progride e ela precisa decidir entre o implante coclear ou o mergulho no mundo silencioso. Durante suas batalhas, ela começa a criar personagens nebulosos que a princípio sempre a assustam.


🍥"O Silêncio é um lugar onde se pode morar na linguagem. O silêncio liberta imagens e palavras que a linguagem detém."


É assim que a realidade se mistura com a imaginação. Enquanto Louise analisa as mudanças e as escolhas que precisa fazer, podemos nos regalar com personagens muito significativos de sua fantasia.

🍥"Ouvir não é escutar. Como olhar não é ver. Eu sabia escutar, mas não conseguia mais ouvir. E ainda assim, todo esse tempo, tinha entendido a linguagem."

Um soldado da Primeira Guerra Mundial, ou seja, de uma guerra perdida, símbolo da guerra perdida da nossa protagonista contra o avanço da sua surdez. Um cachorro que aparece quando ela começa a "latir" para as pessoas "quê? quê? quê?" para expressar sua frustração e depois sua raiva reprimida. A mais onírica: uma botânica decorando flores imaginárias enquanto se transforma em árvore. E a minha preferida, não citarei o nome, mas para mim, é seu próprio duplo.


🍥 "A mentira tem um lado bom, ela te dá chances de ter esperança."


Embora eu não consiga imaginar o que é ser surdo, Rosenfeld sabe muito bem como transmitir o desconforto, o cansaço e a solidão associados à surdez e dificuldade auditiva.


🍥 "O Silêncio tinha muito mais a nos dizer, nos fazia crescer."


É uma leitura muito necessária, porque a autora nos mostra detalhes que passam despercebidos, pontos específicos que para ouvintes não são nada. Dá para perceber que temos muitas cenas aqui que foram vividas na pele. Precisamos prestar mais atenção nas pessoas, nos detalhes, precisamos nos colocar no lugar do outro e acolher os mundos diversos.


🍥 "Não existe verdade, a realidade está em movimento."


"Águas-vivas não têm ouvidos" é uma leitura gostosa, linda, sensível e poeticamente acolhedora. Recomendo muito!


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!


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