• Kelly Rossi

Eu te escrevo de Auschwitz - resenha


Titulo Original - Je vous écris d'Auschwitz: Lettres retrouvées et présentées par Karen Taieb

Autora - Karen Taieb

Nacionalidade - Francesa

Tradução - Caroline Silva

Editora - Planeta

Gênero - Não ficção

Páginas - 224

Ano - 2022

ISBN - 9786555357035

Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse - "'Eu te escrevo de Auschwitz' traz as poucas palavras, quase sempre as mesmas, enviadas de Auschwitz por quase cinco mil judeus franceses. Elas nos mostram a incrível correspondência trocada entre os prisioneiros de um dos piores campos de concentração nazista e suas famílias.

As cartas escritas sob coação dos oficiais nazistas, entre os anos de 1942 e 1944, faziam parte de uma parte de uma operação de propaganda - a chamada Brief-Aktion - que visava tranquilizar os parentes dos deportados e, assim, esconder o horror a que eles eram submetidos.

Expressões vagas como "Está tudo bem comigo" e "Estou com saúde", encontradas na maioria das mensagens, elucidam ainda mais a perversidade da máquina de morte nazista. Os deportados escreviam que estavam bem no exato momento em que eram encurralados. As cartas lançavam uma breve luz sobre essas vidas, e, então se fazia escuridão.

Além de trazer à tona esse acervo pouquíssimo conhecido, a autora Karen Taieb também nos apresenta outras correspondências, estas clandestinas, que revelavam verdadeiramente o inferno vivido ali. Há ainda cartas escritas por prisioneiros assim que o campo foi libertado; relatos únicos e comoventes dos sobreviventes endereçados às suas famílias.

Neste livro, Karen Taieb revela uma parte desconhecida da história do Holocausto, ao mesmo tempo que homenageia a memória das vítimas."



Karen Taieb é historiadora e trabalha no Memorial da Shoá, o Museu do Holocausto, em Paris. Nesse Museu, existe um acervo que é o objeto de estudo da Karen no livro "Eu te escrevo de Auschwitz". Esse acervo documenta a chamada "Brief-Aktion (operação cartas). Esta consistia em obrigar os deportados a escrever cartas endereçadas à família ou aos amigos para tranquilizá-los quanto à sua situação. O conteúdo, curto, obrigatoriamente escrito em alemão, não poderia dar nenhuma informação pessoal. A fórmula consagrada resumia-se, geralmente, a algumas palavras: "Estou em um campo de trabalho e estou bem", com uma ou outra variação."


De setembro de 1942 até julho de 1944, foram registradas cerca de 5 mil cartas trocadas entre a França e a Alemanha pelos prisioneiros do Holocausto e seus familiares.


A operação era bem camuflada, então o estudo histórico não é nada fácil. Mas existe duas hipóteses sobre o funcionamento da operação, a primeira era a propaganda positiva da imagem dos campos e a segunda era conseguir encontrar mais judeus que estivessem escondidos.



"O primeiro objetivo era mascarar a realidade por meio de informações relativamente tranquilizadoras que visavam acalmar as legítimas preocupações das famílias mais aflitas. Mas era também, acima de tudo, um meio de obter endereços para novas deportações."


Para proteger seus familiares e amigos, os prisioneiros endereçavam as cartas para amigos arianos que poderiam entregar as correspondências para o destino certo sem riscos.



A Karen selecionou algumas das cartas para contar a história de seus remetentes, ela reconstituiu a vida de cada um falando de onde a pessoa era, como foi presa, qual era sua profissão fora do campo e até, em alguns caso, como morreram. Ela também conta como era a relação das famílias com as cartas. ✉ "Para algumas famílias, essas cartas, embora sucintas, são os únicos depoimentos que restaram de um pai, de uma mãe ou até mesmo de um filho desaparecido nos campos, e são conservados como bens preciosos."


Uma das partes do livro, traz a cópia de cartas clandestinas, que não passavam por uma censura rigorosa, e exatamente por isso eram mais extensas, mais íntimas e por consequência, ainda mais dolorosas de ler.


"A expressão "cartas clandestinas" não é totalmente apropriada, porque o caminho seguido por essas correspondências era oficial."


✍🏻"É muito difícil estar separado de minha pequena Popi e de você, não as ver, não poder abraçá-las, não poder ouvir minha pequena Popi viver, não vê-la brincar, não ouvi-la rir, falar, enfim, ser privado da maior alegria da minha vida. [...] Sim, minha querida, é a esperança de voltar a viver com vocês que me sustenta e me ajuda a suportar a vida atual, e espero que continue me sustentando no futuro."

A última parte do livro é composta por cartas que foram enviadas após a liberação dos prisioneiros. Apesar de livres, eles ainda aguardavam a deportação para voltarem para a França. E nesse intervalo de espera, escreveram cartas aos familiares. As cartas não sofreram mais censuras, então são bem detalhadas, contaram o que estavam sentindo, o que passaram e o que pensavam sobre o futuro. Alguns demonstraram sentimentos de vingança, o que é muito compreensivo, mas a maioria escreveu sobre o amor pela família e é muito gostoso de ler.


"Cada nova carta é importante porque revela uma vida, uma existência, devolve a dignidade a uma pessoa que não é apenas um nome na Parede. Essas cartas nos oferecem uma ligação direta com os desaparecidos: escritas de próprio punho, elas relatam um fase de sua vida e constituem, infelizmente, os últimos vestígios de alguns deles."




Os objetivos dessa obra são: "revelar um aspecto desconhecido da história da Shoá, promover esses documentos e, ao mesmo tempo, honrar a memória das vítimas."


Ao meu ver, todos foram atingidos, é um livro incrível e agrega muito ao tema.


Você que gosta de ler sobre o tema da Segunda Guerra Mundial, esse livro é indispensával.


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!❤📚



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