• Kelly Rossi

A revolução dos bichos - Resenha

Atualizado: Fev 26


Título - A revolução dos bichos Autor - George Orwell Tradução - Heitor Aquino Ferreira Editora - Companhia das Letras Local - São Paulo, 1ª Ed., 2007 Páginas - 147 ISBN - 978-85-359-0955-5 Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐











Sinopse


"Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instruir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan "Quatro pernas bom, duas pernas ruim".

Mas não demora muito para que alguns bichos - em particular os mais inteligentes, os porcos - voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema "Todos os bichos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros". A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força.

Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura slalinista que inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu."


Uma sátira política sobre a experiência soviética como um todo. A revolução dos bichos apresenta animais humanizados, falantes e inteligentes (alguns nem tanto) que representam figuras importantes na história da humanidade. Tais como: o porco Napoleão, inspirado em Stalin e o porco Bola-de-Neve, inspirado em Trotsky.


Como a história não seguiu ao pé da letra os detalhes e a organização da Revolução Russa, é fácil encaixá-la em outros contextos históricos.


Na obra, além das figuras dos líderes, é possível encontrar, na pele dos cavalos (Sansão e Quitéria), a figura do proletariado, explorado e deixado de lado depois que não tem mais serventia. A mídia é muito bem representada, inclusive com suas pós-verdades, no papel do porco Garganta que era capaz de ludibriar até mesmo o animal mais sagaz da Granja. Inspiradas na classe média, as Ovelhas serviam de massa de manobra para a elite dos poderosos alcançar seus objetivos. Até a burguesinha mimada foi representada pela égua Mimosa, fútil e vaidosa, hoje, poderia ter vários memes na internet como "Mimosa de direita".


Mesmo que você não conheça o contexto histórico que o livro é baseado, a leitura é prazerosa e facilmente adaptada ao momento atual. Acredito que por isso continue fazendo sucesso no meio literário depois de tantos anos. Cada personagem teve uma criação complexa e bem elaborada, o que enriquece ainda mais a leitura.


A visão pessimista da política apresentada no livro faz a gente pensar. Durante a leitura é possível encaixar-se na figura de algum animal. O mais difícil é a auto-avaliação! Qual animal eu seria em "A revolução dos bichos"? E você?


"Alguns bichos são mais iguais que outros". Até quando isso será uma verdade?

A revolução dos bichos acontece na Granja do Solar. Animais falantes se reunem e organizam uma rebelião contra Jones, proprietário da Granja e explorador de todos os bichos.

Major (figura inspirada em Marx) é  um porco com idade avançada, criador do hino "Bichos da Inglaterra", planta a semente da revolução que é adotada por todos os porcos depois de sua morte.

Considerados por todos como os animais mais inteligentes, os porcos assumem a frente. Liderados por Napoleão (Stalin) e Bola-de-Neve (Trotski), os bichos conseguem colocar Jones para correr e conquistam a tão sonhada liberdade.


A vida passa a ser boa. Trabalham para o próprio sustento (o que é recompensador). A comida é farta. Acabam os assassinatos dos animais. Todos convivem harmoniozamente com suas próprias regras (sete mandamentos). Tudo corre perfeitamente bem, pelo menos no começo...


Sete mandamentos: 1 - Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo. 2 - O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo. 3 - Nenhum animal usará roupa. 4 - Nenhum animal dormirá em cama. 5 - Nenhum animal beberá álcool. 6 - Nenhum animal matará outro animal. 7 - Todos os animais são iguais.

Outros bichos da Granja:


Garganta - porco muito persuasivo que manejava a palavra com brilho.

Moisés - corvo doméstico fofoqueiro que vivia falando de uma terra prometida, a Montanha de Açúcar-Cande. (representava a igreja)

Sansão - cavalo musculoso que adotou o lema "Trabalharei mais ainda" e "Napoleão tem sempre razão".

Mimosa - égua mimada, vaidosa e fútil que abandonava o trabalho frequentemente, gostava de fitas coloridas e torrões de açúcar.

Benjamim - burro idoso, mal-humorado e muito sábio.

Maricota - cabra.

Quitéria - égua amiga de Sansão.

Lulu, Branca e Cata-Vento - Cachorros.

Ovelhas - viviam balindo "Quatro pernas bom, duas pernas ruim".

Garnisé - arauto de Napoleão.

Galinhas, vacas, uma gata, ratos, patos e outras aves também faziam parte da Granja dos Bichos.


Depois de um certo tempo, os porcos começaram a ter regalias devido ao seu árduo trabalho de administração, os outros animais não gostaram muito, mas aceitaram. Os cachorros que protegiam os porcos também tinham certos benefícios. E os privilégios de porcos e cachorros aumentavam a cada dia, a vida na Granja dos Bichos já não era boa para todos. Garganta se encarregava de passar informações e estatísticas para tranquilizar os animais e convencê-los que tudo era muito melhor do que na época de Jones. E assim foram seguindo a vida, cada vez mais miserável. Sofreram ataques de humanos que tentavam recuperar a Granja. Depois de muitas discussões, Napoleão expulsou Bola-de-Neve com a ajuda de seus seguranças (nove cachorros raivosos criados por ele mesmo).

Sozinho na liderança, Napoleão transformou a vida de todos um inferno, matou todos os traidores, reduziu a comida e fez com que todos trabalhassem como escravos. Um verdadeiro ditador, mudava as regras sempre que lhe convinha, até que os sete mandamentos foram reduzidos a apenas um: "Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros". E foi assim que conheceram o significado da desigualdade.


E assim como acontece em muitos outros "governos" (pra não dizer em todos), alianças que beneficiavam só os mais poderosos foram seladas. Porcos e humanos voltaram a fazer negócios e a ralé dos bichos continuou sofrendo e vivendo uma vida de exploração. A Granja dos Bichos, que voltou a ser a Granja do Solar seria sugada por seus líderes até não sobrar mais nenhuma gota para extorquir.


Mas não pense que o livro acaba assim, não... Orwell deixa o final a critério do leitor. A perspicácia de cada um trilhará o fim de todos os bichos. Adequado ou não, ficará da consciência e vivência de quem leu!



Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!

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