A Senhora de Wildfell Hall - Resenha

Título - A Senhora de Wildfell Hall
Autora - Anne Brontë
Tradução - Julia Romeu
Editora - Record
Gênero - Clássico; Romance
Páginas - 504
Local - Rio de Janeiro, 2017
ISBN - 978-85-01-08069-1
Classificação - ⭐⭐⭐⭐

Sinopse - "Neste clássico da literatura inglesa, considerado o primeiro romance feminista, Anne Brontë (1820 - 1849) desafia as convenções sociais do século XIX. A protagonista desta obra quebra paradigmas de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar a própria vida. Ao chegar na propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera especulação e comentários por parte dos vizinhos. O jovem fazendeiro Gilbert Markham, por sua vez, desperta um grande interesse pela moça e, aos poucos, vai criando uma amizade com ela e com seu filho. Porém, os segredos do passado da suposta viúva e seu comportamento arredio impedem que o sentimento nutrido pelos dois se concretize, fazendo com que Gilbert tenha dúvidas sobre a conduta dela. Quando a Sra. Graham permite que ele leia seu diário a fim de esclarecer os fantasmas do passado, o rapaz compreende os tormentos enfrentados por aquela mulher e as razões de suas atitudes. Ela narra sua história até então, desde a relação com um marido alcoolatra e de conduta abominável até a decisão de abandonar tudo em nome da proteção do filho."


🌼Escrito através de cartas e diários, a narração é em primeira pessoa. No primeiro momento a história é contada por Gilbert Markham. Começamos o livro conhecendo a nova e misteriosa moradora de Wildfell Hall, Helen Graham.

🌼Helen é viúva e tem um filhinho chamado Arthur.  Com um comportamento reservado e muito diferente do habitual para a época, nossa heroína logo cai nas garras da fofoca da vizinhança.

🌼A postura singular de Helen como mulher e como mãe despertam a atenção de Gilbert. A amizade inocente acaba se transformando em amor, mas segredos rondam a senhora de Wildfell Hall e impossibilitam que esse romance desabroche. 

🌼A leitura dos primeiros 15 capítulos do livro é bem fluida e prazerosa. Gilbert nos apresenta uma protagonista carregada de muita força e traços feministas. Outra de suas características bem marcantes é a profunda religiosidade, assim como a autora.

🌼Anne Brontë usa a força da Helen para criticar o tratamento que as mulheres tinham em sua época. Também faz apontamentos sobre a exigência que as pessoas faziam na diferença da criação de meninas e de meninos.

"... afirmou que a virtude só surge a partir da tentação; e crê também que uma mulher deve ser exposta o mínimo possível à tentação e aos vícios, e a qualquer coisa ligada a eles. Portanto, deve achar que as mulheres são essencialmente tão malignas, ou tão fracas, que não conseguiriam resistir. Embora possam ser puras e inocentes enquanto são mantidas na ignorância, não possuem virtudes reais; assim, ensiná-las a pecar é o mesmo que torná-las pecadoras. Quanto maior for seu conhecimento e liberdade, mais profunda será sua depravação; mas, já com o sexo mais nobre, há uma tendência natural à bondade, protegida por uma capacidade superior de resistência que, quanto mais for exercitada por sofrimentos e perigos, mais será desenvolvida..."   
🌼Reparem que nesse trecho destaquei como o sexo masculino era considerado na época. Tenso não? Acredito que já evoluímos muito com relação a esse pensamento, mas precisamos continuar batalhando. Anne foi uma das primeiras autoras a debater esse tema na literatura e este livro foi o primeiro passo de muitos para discutir e conscientizar cada vez mais um número maior de leitores, pensadores e pessoas no geral. 


🌼Fofocas, inseguranças e muitas reviravoltas atrapalham o relacionamento dos nossos protagonistas. E para que Gilbert entenda sua posição e decida o que pensar dela depois de descobrir a obscuridade em seu passado, Helen lhe entrega seu diário. E é nessa hora que o livro muda de narração e fica complicado para o leitor… eita diário arrastado rsrs... parece não ter fim, mas a leitura vale a pena.

🌼Com o diário da Helen, nos deparamos com outra personagem, uma moça jovem, imatura, inocente cheia de sonhos, totalmente diferente da Helen que é nos apresentada por Gilbert. Acompanhamos o amadurecimento da protagonista e compreendemos melhor sua situação atual. Os segredos que moldam a senhora de Wildfell Hall são revelados e chocam Gilbert e os leitores.

🌼Li e debati no Projeto #lendobronte. A maioria dos participantes teve dificuldades com a leitura do diário da Helen, pois achou sua escrita cansativa e chata.
Eu curti muito a história, as críticas e os personagens. Acabei me identificando com a protagonista em vários aspectos, então consegui levar bem de boa e aproveitei bastante o livro.

🌼Se você ainda não conhece a escrita da Anne Brontë, eu recomendo esse romance ousado e corajoso que chocou os leitores da Era Vitoriana e continua deixando mensagens reflexivas até os dias atuais.


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima! 💖📚




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