A revolução dos bichos - Resenha

Título - A revolução dos bichos
Autor - George Orwell
Tradução - Heitor Aquino Ferreira
Editora - Companhia das Letras
Local - São Paulo, 1ª Ed., 2007
Páginas - 147
ISBN - 978-85-359-0955-5
Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐

Sinopse - "Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instruir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan "Quatro pernas bom, duas pernas ruim".
Mas não demora muito para que alguns bichos - em particular os mais inteligentes, os porcos - voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema "Todos os bichos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros". A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força.
Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura slalinista que inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu."

Uma sátira política sobre a experiência soviética como um todo. A revolução dos bichos apresenta animais humanizados, falantes e inteligentes (alguns nem tanto) que representam figuras importantes na história da humanidade. Tais como: o porco Napoleão, inspirado em Stalin e o porco Bola-de-Neve, inspirado em Trotsky.

Como a história não seguiu ao pé da letra os detalhes e a organização da Revolução Russa, é fácil encaixá-la em outros contextos históricos.
Na obra, além das figuras dos líderes, é possível encontrar, na pele dos cavalos (Sansão e Quitéria), a figura do proletariado, explorado e deixado de lado depois que não tem mais serventia. A mídia é muito bem representada, inclusive com suas pós-verdades, no papel do porco Garganta que era capaz de ludibriar até mesmo o animal mais sagaz da Granja. Inspiradas na classe média, as Ovelhas serviam de massa de manobra para a elite dos poderosos alcançar seus objetivos. Até a burguesinha mimada foi representada pela égua Mimosa, fútil e vaidosa, hoje, poderia ter vários memes na internet como "Mimosa de direita".

Mesmo que você não conheça o contexto histórico que o livro é baseado, a leitura é prazerosa e facilmente adaptada ao momento atual. Acredito que por isso continue fazendo sucesso no meio literário depois de tantos anos. Cada personagem teve uma criação complexa e bem elaborada, o que enriquece ainda mais a leitura.

A visão pessimista da política apresentada no livro faz a gente pensar. Durante a leitura é possível encaixar-se na figura de algum animal. O mais difícil é a auto-avaliação! Qual animal eu seria em "A revolução dos bichos"? E você? 

"Alguns bichos são mais iguais que outros". Até quando isso será uma verdade?


A revolução dos bichos acontece na Granja do Solar. Animais falantes se reunem e organizam uma rebelião contra Jones, proprietário da Granja e explorador de todos os bichos.
Major (figura inspirada em Marx) é  um porco com idade avançada, criador do hino "Bichos da Inglaterra", planta a semente da revolução que é adotada por todos os porcos depois de sua morte.
Considerados por todos como os animais mais inteligentes, os porcos assumem a frente. Liderados por Napoleão (Stalin) e Bola-de-Neve (Trotski), os bichos conseguem colocar Jones para correr e conquistam a tão sonhada liberdade.

A vida passa a ser boa. Trabalham para o próprio sustento (o que é recompensador). A comida é farta. Acabam os assassinatos dos animais. Todos convivem harmoniozamente com suas próprias regras (sete mandamentos). Tudo corre perfeitamente bem, pelo menos no começo... 

Sete mandamentos:
1 - Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2 - O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo.
3 - Nenhum animal usará roupa.
4 - Nenhum animal dormirá em cama.
5 - Nenhum animal beberá álcool.
6 - Nenhum animal matará outro animal.
7 - Todos os animais são iguais.

Outros bichos da Granja:

Garganta - porco muito persuasivo que manejava a palavra com brilho.
Moisés - corvo doméstico fofoqueiro que vivia falando de uma terra prometida, a Montanha de Açúcar-Cande. (representava a igreja)
Sansão - cavalo musculoso que adotou o lema "Trabalharei mais ainda" e "Napoleão tem sempre razão".
Mimosa - égua mimada, vaidosa e fútil que abandonava o trabalho frequentemente, gostava de fitas coloridas e torrões de açúcar.
Benjamim - burro idoso, mal-humorado e muito sábio.
Maricota - cabra.
Quitéria - égua amiga de Sansão.
Lulu, Branca e Cata-Vento - Cachorros.
Ovelhas - viviam balindo "Quatro pernas bom, duas pernas ruim".
Garnisé - arauto de Napoleão.
Galinhas, vacas, uma gata, ratos, patos e outras aves também faziam parte da Granja dos Bichos.


Depois de um certo tempo, os porcos começaram a ter regalias devido ao seu árduo trabalho de administração, os outros animais não gostaram muito, mas aceitaram. Os cachorros que protegiam os porcos também tinham certos benefícios. E os privilégios de porcos e cachorros aumentavam a cada dia, a vida na Granja dos Bichos já não era boa para todos. Garganta se encarregava de passar informações e estatísticas para tranquilizar os animais e convencê-los que tudo era muito melhor do que na época de Jones. E assim foram seguindo a vida, cada vez mais miserável. Sofreram ataques de humanos que tentavam recuperar a Granja. Depois de muitas discussões, Napoleão expulsou Bola-de-Neve com a ajuda de seus seguranças (nove cachorros raivosos criados por ele mesmo).
Sozinho na liderança, Napoleão transformou a vida de todos um inferno, matou todos os traidores, reduziu a comida e fez com que todos trabalhassem como escravos. Um verdadeiro ditador, mudava as regras sempre que lhe convinha, até que os sete mandamentos foram reduzidos a apenas um: "Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros". E foi assim que conheceram o significado da desigualdade.

E assim como acontece em muitos outros "governos" (pra não dizer em todos), alianças que beneficiavam só os mais poderosos foram seladas. Porcos e humanos voltaram a fazer negócios e a ralé dos bichos continuou sofrendo e vivendo uma vida de exploração. A Granja dos Bichos, que voltou a ser a Granja do Solar seria sugada por seus líderes até não sobrar mais nenhuma gota para extorquir.

Mas não pense que o livro acaba assim, não... Orwell deixa o final a critério do leitor. A perspicácia de cada um trilhará o fim de todos os bichos. Adequado ou não, ficará da consciência e vivência de quem leu!


Beijos, um ótimo voo a todos e até a próxima!



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